Adoração ao Sol

A religião desempenhou um papel fundamental na história da civilização egípcia antiga, havendo interferido em todas as áreas da sociedade. Nesse sentido, a adoração aos deuses nos quais os egípcios acreditavam fazia-se essencial, de forma a manter seus pedidos e agradecimentos pelo que as divindades haviam feito pelos homens. Uma das divindades mais importantes e mais lembradas do panteão egípcio é o deus Rá, também chamado de Rá-Harakhti. Considerado o deus-Sol, Rá era representado por corpo de homem, cabeça de falcão e um disco solar sobre a cabeça. Além disso, Rá era associado à realeza. Seu principal centro de culto era a cidade de Iunu, localizada ao norte do Egito e chamada pelos gregos de Heliópolis. Segundo a crença egípcia, essa foi a cidade onde Rá viveu e de onde governou o Egito antes do surgimento das dinastias históricas. Por esse motivo, os faraós eram considerados seus descendentes. Por conta do desenvolvimento agrícola ocorrido no território egípcio, os moradores locais deram ao Sol e, consequentemente, ao deus Rá, a supremacia, uma vez que passaram a reconhecer a luz solar como elemento fundamental para a produção de alimentos. Durante toda a história da civilização egípcia antiga existiram vários mitos que explicavam como havia ocorrido a criação do mundo e de tudo o que nele existe. Nesse sentido, um dos mitos mais conhecidos é o da cidade de Heliópolis. No mito de Heliópolis, Rá era visto como a divindade criadora que havia surgido das águas caóticas sobre um monte de terra e teria originado um casal de deuses, Shu e Tefnut que, por sua vez, deram origem à Geb e Nut, deuses da terra e do céu, respectivamente. Estes dois deuses teriam criado outras quatro divindades: Osíris, Ísis, Néftis e Seth. As nove divindades acima citadas formavam a enéade de Heliópolis. Para os egípcios, deus Rá nascia a cada manhã, cruzava o céu na barca solar, durante a noite viajava pelo mundo subterrâneo e lutava contra a serpente Apófis, personificação do mal, e a vencia todas as noites, de forma a permitir que outro dia surgisse. Além disso, os egípcios acreditavam que o deus-Sol possuía várias formas ao longo do dia: ao amanhecer era Kepri, uma divindade relacionada ao escaravelho, ao meio-dia era Rá propriamente dito e ao entardecer era Atum, um deus com forma humana que portava a coroa do Alto e Baixo Egito sobre sua cabeça. O ciclo solar assumiu grande importância na história da civilização egípcia antiga por haver originado diversas concepções mitológicas, como a da “destruição da humanidade” e a de “Ísis e Rá”, que têm como fato principal o envelhecimento do sol. De acordo com o mito da destruição da humanidade, Rá teria enviado à terra uma deusa vingativa chamada Sekhmet, representada como uma mulher com cabeça de leoa, para que punisse a humanidade por conta das atitudes negativas dos homens. No entanto, a raiva de Sekhmet teria tornado-se incontrolável, o que fez com que a deusa matasse pessoas inocentes. Para evitar que toda a humanidade fosse destruída por Sekhmet, Rá tingiu de vermelho vários barris de cerveja e deixou em locais onde a deusa poderia encontrá-los. Assim, ao acordar com sede e tomar o líquido pensando ser sangue humano, Sekhmet teria ficado embriagada, esquecendo-se de sua grande raiva e, dessa forma, deus Rá teria livrado a humanidade da destruição. Ao longo de toda a história da civilização egípcia, deus Rá fora relacionado a outros deuses, sobretudo a partir da V Dinastia. Entre os deuses aos quais o deus-Sol fora associado destacam-se Kepri, Atum, Amon e Hórus. Uma das associações mais conhecidas é a de Amon-Rá, quando os faraós do Novo Império o relacionaram com a principal divindade da cidade que havia se tornado a capital do Egito durante esse período. Thays da Silva

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O crocodilo como divindade no Egito Antigo

  Por Ewerson Dubiela Para os antigos egípcios tudo o que existia era fruto dos deuses. Sua fauna, sua flora e até mesmo as pessoas foram criadas e eram regidas pelas divindades. Cada deus representava uma condição da natureza. Vamos abordar um deus em específico, que não diferente de outros deuses egípcios, era representado como um ser antropozoomórfico (forma humana e animal) ou zoomórfico (apenas na forma animal). Primeiro, precisamos entender que para aquela população, os deuses viviam na Terra, no mesmo cenário que os homens. Os templos eram construídos para o culto aos deuses, eram as moradas divinas. Dentro deles havia estátuas que eram veneradas e todos os dias eram lavadas e perfumadas, vestidas e alimentadas, pois se acreditava que o Bá do deus, ou o que entendemos por alma, ali encarnaria e, portanto, precisaria de cuidados. A mesma ideia ocorria com o animal que era associado ao deus. Assim era com Sobek, o deus crocodilo, adorado principalmente nos templos do Fayum e de Kom-Ombo. Esta divindade era relacionada à violência, sexualidade e instabilidade da personalidade, portanto, propenso aos desejos mais primordiais. O seu nome, Sbk, apesar da grande discussão no meio acadêmico para seu significado, acredita-se estar relacionado ao verbo “Impregnar” devido à fertilidade do animal. No Reino Antigo, Sobek era chamado, em textos religiosos, de “O Raivoso”, posteriormente, durante o Reino Médio, foi associado ao poder faraônico por conta de sua habilidade em agarrar sua presa subitamente e destruí-la de forma única.[1] Como veremos no próximo parágrafo, esta é uma condição natural do animal que, pela interpretação dos antigos egípcios, se comparava ao faraó arrebatando e destruindo seus inimigos da mesma forma. A espécie Crocodylus Niloticus pode medir quase cinco metros de comprimento, atingindo em terra 14 km/h e, 30 km/h na água. Alimenta-se, quando adulto, de grandes animais que consegue capturar com seu poderoso ataque, não matando de imediato, mas levando a captura para a água, aonde deixa esta afogar-se e espera até que a carne amoleça. Para arrancar a carne, utiliza a sua mandíbula para girar na água, fazendo o “giro da morte”. Tente agora imaginar que este mesmo espécime, adulto, também poderia viver dentro de um templo, movimentando-se livremente pelo espaço, porém, todo enfeitado! E não obstante, ainda se tinham criadouros destes gigantescos e perigosos animais dentro do próprio templo. Os gregos Heródoto e Estrabão visitaram o Egito e relataram tais cuidados com os crocodilos, o primeiro escreveu: Parte dos egípcios (…) que habitam as vizinhanças de Tebas e do lago Moéris têm pelos referidos anfíbios muita veneração. Escolhem sempre um para criar e domesticar. Enfeitam-no com objetos de ouro ou com pedras falsas e colocam pequenas correntes ou braceletes em suas patas dianteiras. Nutrem-no com a carne das vítimas e lhe dão outros alimentos apropriados. Enquanto ele vive, cercam-no de cuidados; quando morre, embalsamam-no e depositam-no numa urna sagrada.[2] Como na estátua, o animal também possuiria o Bá do deus, e por isso era mantido e adorado, não existem registros de sacrifícios humanos para a divindade, apesar de saber-se da existência do ataque destes répteis durante o cotidiano nas bordas do rio. Nas artes, Sobek, era representado como um crocodilo por inteiro ou por um homem com cabeça de crocodilo com uma coroa em formato de plumas. Porém, existem outros deuses que tinham representações associadas ao animal, como as deusas Taueret e Âmit. Por que estas duas deusas também eram associadas ao crocodilo? Se observarmos como a mamãe crocodilo trata seus filhotes, conseguiremos identificar uma criatura extremamente gentil, assim como o papai crocodilo, que fica por um tempo protegendo sua ninhada junto com a fêmea. Talvez por isso, os egípcios tenham assimilado a deusa Taueret com este animal. Ela era relacionada ao nascimento, representada como uma mulher grávida, com cabeça e pernas de hipopótamo e costas e cauda de crocodilo. Quanto à Âmit, o Livro dos Mortos nos mostra que era um animal sagrado, que devoraria as almas daqueles que não tivessem seguido os princípios dos deuses em vida. Ela é representada por três animais, a cabeça de crocodilo, o corpo de um leão e as pernas de um hipopótamo. Vejamos que são três animais que atacavam os humanos e trazem uma ideia de terror. O fato é que, o poderoso réptil, bem como outros animais, acabava sendo associado aos deuses, muitas vezes por suas atribuições naturais, que o povo nilótico julgava como manifestações divinas. [1] HART, George. The Routledge Dictionary of Egyptian Gods and Godesses.New York. USA. Taylor & Francis Group. 2ªEd. 2005. [2] Heródoto, História: II, 229. Apud: Locks, Martha & Santos, Moacir Elias. Templos, Crocodilos e Múmias: Ex-votos de Sobek da coleção do Museu Nacional. In: Revista UNIANDRADE / Centro Universitário Campos de Andrade – v.6, n.1, 2005. Curitiba: UNIANDRADE, 2005. Alto Relevo no templo de Kom Ombo apresentando o deus Sobek. O crocodilo do Nilo Estatueta do deus Sobek. XII Dinastia. Museu Staatliches Ägyptischer Kunst – Munique

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A Deusa Néftis: aspectos e definições

  Shara Lorena Gritten Mello – Monitora do Museu Egípcio Embora pouco lembrada, Néftis é uma deusa da enéade da cidade de Heliópolis, e uma das principais divindades presentes no panteão dos egípcios antigos, tendo sua aparência idêntica à de sua irmã Isis. Porém, muitos de seus aspectos são misteriosos até os dias de hoje. Na mitologia desenvolvida na cidade de Heliópolis, Néftis era esposa do deus Seth, que era estéril, e para poder conceber um filho se disfarçou de Isis, que era casada com Osíris, e passou uma noite com o marido de sua irmã. Desse ato nasceu Anúbis, deus da mumificação. As principais representações iconográficas da deusa aparecem em tumbas ou sarcófagos. Podemos usar para melhor entende-la os “Textos das Pirâmides” e os “Textos dos Sarcófagos”, que são um conjunto de fórmulas mágicas, encontrados nos caixões e paredes das tumbas. Seu nome significa “Senhora da Casa” ou “Senhora do Templo”, embora ainda não se tenha encontrado nenhum centro de culto dedicado a deusa. A literatura egípcia esclarece pouco sobre o papel de Néftis, pois antes da mitologia da cidade de Heliópolis, não se conhece outro texto com citação sobre a deusa. O que sabemos é que ela está ligada com a mitologia Osiriana. Muitas vezes, Néftis aparece associada com Isis e no contexto funerário elas protegem o morto. Isis vai a frente do morto protegendo seus pés, Néftis vai atrás protegendo a cabeça. Segunda a mitologia, Néftis chorou com sua irmã pelo falecimento do deus Osíris. Dentro das tumbas a deusa aparece como protetora dos mortos e dos vasos canópicos. Muitos amuletos foram produzidos para a deusa principalmente durante as 22° e 26° dinastias egípcias, onde a produção desses objetos é muito comum. Infelizmente podemos saber apenas alguns aspectos e definições de Néfits, porém, ela foi largamente representada no Egito, desde o Reino Antigo chegando até a Baixa Época. Por mais que o papel da deusa não fique completamente definido, podemos concluir que ela foi muito importante para os egípcios, pois ela é a mãe do deus da mumificação, Anúbis, além de estar relacionada à crença da vida além-túmulo, pois auxiliava o morto em sua travessia para os campos de Osíris. Estátua néftis-Periodo Tardio-encontra-se no museu do Brooklyn(Brooklyn Museum) Néftis e Isis – Tumba nefertari Isis and Nephtys- Tumba Sennedjam

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