Normas de Visitação para reabertura do Museu

Visando a proteção e saúde de todos os que acessam seus espaços nesse período de pandemia de Coronavírus COVID-19, o Museu Egípcio & Rosacruz Tutankhamon comunica:

Devido a grande procura por visitas aos espaços culturais da Ordem Rosacruz, AMORC, o Museu Egípcio & Rosacruz Tutankhamon estende seu horário aos domingos e passa a funcionar das 10h00 às 17h:00, mesmo horário de funcionamento dos sábados.

Dias e horários de funcionamento:

De terça a sexta-feira das 8h às 12h e das 13h às 17h30;

Sábados, Domingos e Feriados: das 10h às 17h;

* Nas segundas-feiras o museu está fechado para visitação.

A entrada ocorre sempre até 1 horas antes do horário de encerramento das atividades.

As visitas serão permitidas de acordo com o decreto nº 1350/2020 da Prefeitura Municipal de Curitiba. Por isso, serão vendidos lotes de até 50 ingressos por hora todos os dias, uma vez que dentro da instituição serão permitidos, no máximo, 50 visitantes.

Caso a quantidade de ingressos de um lote acabe, o visitante deverá aguardar o horário de venda do novo lote.

Assim, o último horário para venda de ingressos, de terça à sexta, será às 16h30.

Nos finais de semana e feriados (exceto às segundas-feiras) será às 16h00.

Os visitantes poderão permanecer até às 17h00 no espaço nos finais de semana e feriados (exceto às segundas-feiras) e 17h30 de terça à sexta.

O protocolo de visitação exige:

  1. Uso de máscara cobrindo o nariz e a boca em tempo integral nos espaços de visitação, recepção e bilheteria;
  2. Distanciamento de 1,80m em todos os espaços do Museu;
  3. Uso de álcool em gel sempre que possível;
  4. Não tocar nas peças, vitrines e outras superfícies;

O Museu Egípcio & Rosacruz Tutankhamon agradece a compreensão e colaboração de todos.

CLEÓPATRA VII- “rainha dos reis”

Cleópatra VII théa philopator, que em grego significa “deusa que ama seu pai” foi a última rainha do Egito antes da conquista e anexação do território egípcio por Roma. Cleópatra pertencia a dinastia Ptolomaica, ela nasceu em Alexandria em 69 a.C, seus pais eram Ptolomeu XII Aulete (80 – 51 a.C.), sua mãe não se sabe ao certo. Era a segunda filha de cinco irmãos. Com a morte de seu pai em 51 a.C., Cleópatra então com dezoito anos, subiu ao trono como rainha regente com seu irmão Ptolomeu XIII (51- 47 a.C.).

Apesar dos alexandrinos não estimarem muito os romanos, foi a dois deles que a vida de Cleópatra ficou intimamente ligada. Júlio César (100- 44 a.C.) conheceu a jovem quando ela foi exilada de Alexandria acusada pelo séquito de seu irmão de conspirar para governar sozinha. O romano chegou à cidade alexandrina em 48 a.C. e foi surpreendido com a ousadia da jovem, quando ela pediu a seu servo fiel, Apolodoro, entregar um saco de estopa ao general como um presente, e dentro dele, Cleópatra se encontrava escondida. Cleópatra se tornou aliada política de Júlio César, e mais do que isso, os dois se tornaram amantes. O fruto desta relação se chamaria Cesário, ou pequeno César, como os egípcios chamavam o filho do casal.

Depois do assassinato de Júlio César em 44 a.C. pelos conspiradores do Senado romano, houve a aproximação entre ela e Marco Antônio, cônsul romano que lutou ao lado de Júlio César na guerra civil romana. Os dois também se tornariam amantes e teriam três filhos. Foi junto a Marco Antônio que Cleópatra empreendeu uma guerra contra Otávio, sobrinho de Júlio César e rival dos amantes. Derrotados, ambos se suicidaram. O suicídio da rainha se tornaria lenda, segundo a hipótese mais aceita, ela teria se suicidado pela picada de uma serpente, assim, foi vítima de uma morte rápida e digna, pois não sofreria a humilhação de ser prisioneira de seu inimigo.

Depois de dois mil anos a figura de Cleópatra ainda desperta o interesse e a imaginação do mundo. A repercussão que essa personagem histórica teve nas artes, na literatura, no cinema e no teatro foi imensa. Contudo, as fontes sobre a verdadeira Cleópatra são escassas, além da propaganda negativa sobre ela empreendida por Otávio, inimigo político de Cleópatra. Por isso, grande parte das fontes utilizadas para formatar a imagem dela tratam-se de documentos romanos posteriores a sua morte.

Portanto, apesar de toda a sua fama, a rainha ainda continua sendo um enigma na história. As únicas fontes mais precisas sobre sua aparência são moedas cunhadas a mando da própria rainha que contém seu busto. Através das poucas fontes egípcias que resistiram ao tempo e a destruição por seus inimigos, é que Cleópatra legitimava-se perante o seu povo através de uma estreita ligação com as deusas Ísis e Háthor. Em seu governo ela também enfrentou crises econômicas, mas estabilizou a economia, aumentou significativamente o acervo da biblioteca de Alexandria, estimulou as artes, a filosofia e o conhecimento. Realizando uma política externa eficiente, manteve o Egito independente por mais de vinte anos até que ele se tornasse uma província romana em 30 a.C.

Por: Jéssica Franco – monitora do Museu Egípcio e Rosacruz

Morte de Cleópatra-1874 por Jean-Andre

CLEÓPATRA VII- “rainha dos reis”[1]

[1]  Título dado a ela por Marco Antônio na cerimônia do Ginásio (34 a.C, Alexandria).

Referências:

HUGHES-HALLETT, Lucy. Cleópatra: histórias, sonhos e distorções. Tradução: Luiz Antonio Aguiar. Editora Record, São Paulo, 2005.

SCHWENTZEL, Christian-Georges. Cleópatra. Tradução: Paulo Neves. Editora L&PM Pocket, Porto Alegre, 2009.

SCHIFF, Stacy. Cleópatra: uma biografia. Tradução: José Rubens Siqueira. Editora Zahar, Rio de Janeiro, 2011.

www.seshat.com.br

Seshat

Seu nome, Seshat, quer dizer ““*a escriba” , pois sesh significa escriba e o sufixo et (ou at) indica o gênero feminino. Outro nome atribuído à deusa é Sefkhet-Abwy, referente aos emblemas característicos colocados sobre a cabeça da deusa. Ela também pode ser chamada de a primeira de per-medjat “a casa dos livros”, a primeira de per-ankh “casa da vida”, biblioteca do templo, senhora da escrita, dos anos, dos construtores ou weret-hekau, que significa “a grande da magia” – título dado também a outras deusas.

Seshat geralmente é representada vestida com pele de leopardo, uma veste que simboliza o ofício sacerdotal. O adorno sobre sua cabeça consiste em uma flor de sete pétalas ou estrela de sete pontas – a interpretação desses aspectos é variada -, contornada por um objeto que pode ser um par de chifres invertido ou duas serpentes. O símbolo que há sobre sua cabeça se pronuncia [ s’sh’t ] e é o hieróglifo da deusa. Normalmente, ela aparece segurando um instrumento para marcar a passagem do tempo e seus eventos, além do tempo previsto para o Faraó na sua jornada terrena, bem como instrumentos específicos da atividade de escriba – como o filete de junco utilizado para escrever e a paleta. Em dados momentos, a deusa Seshat é identificada com aspectos semelhantes aos da deusa Néftis e ocasionalmente também pode ser associada à deusa Háthor.

As primeiras aparições da deusa na mitologia egípcia datam ainda do Reino Antigo (a partir de 2920 a.C.), pois há indícios do culto à Seshat na Segunda Dinastia (2770 a.C. – 2649 a.C.). Não se tem conhecimento de nenhum templo dedicado exclusivamente à deusa, mas ela é sempre referenciada como a patrona da construção dos edifícios sagrados e é representada no interior de diversos templos, como os de Abydos, Edfu, Dendera, Karnak e Luxor.

Também é possível encontrar representações suas nas paredes do templo de Abu Simbel, assim como no templo do deus Toth, em Hermópolis ou Khemenu. O culto à deusa prolongou-se até as épocas tardias na cidade de Alexandria, onde foi construída a famosa biblioteca de mesmo nome, visto que Seshat é a deusa da sabedoria e protetora das bibliotecas.

Na mitologia egípcia, Seshat ocupa um papel que a coloca como a deusa das escrituras e dos projetos arquitetônicos, padroeira também da astronomia e matemática pois era a deusa que media e registrava o mundo. Seshat é a páredra do deus Toth, ou seja, uma contraparte feminina do deus da sabedoria e do conhecimento. Ela e Toth fixavam a duração do reinado de um rei gravando seu nome sobre as folhas da árvore ished em Heliópolis. Como deusa da escrita, Seshat era a guardiã dos registros reais e das genealogias. Ela também é mostrada fazendo a gravação do espólio adquirido pelos reis nas batalhas, talvez como um lembrete de que uma parte é devida aos deuses. Logo a partir da Segunda Dinastia, ela foi mostrada ajudando os reis a colocar as bases para construção dos templos e a alinhá-los com as estrelas e planetas. Em alguns textos dos sarcófagos, Toth e Seshat “trazem escritos para um homem no reino dos mortos”. Estes escritos eram os feitiços que poderiam ajudar a pessoa morta a vencer os terrores do submundo e tornar-se um espírito poderoso.

Infelizmente, pela escassez de registros sobre essa deusa, Seshat não é tão conhecida atualmente como as deusas Ísis, Bastet ou Maat. Contudo, pelos vários significados atribuídos à deusa, percebemos que Seshat tinha valor e notoriedade para os egípcios antigos, visto que foi reverenciada até os períodos mais tardios da civilização faraônica.

*Por mais que Seshat seja a senhora da escrita e carregue os instrumentos de um escriba, a deusa não é representada escrevendo e não é recorrente nas fontes que mulheres exercessem o papel de escribas na sociedade egípcia.

Por: Jéssica Cabral

Referências:
Seshat. Dieux et Déesses de l’Ancienne Égypte. Disponível em: .
L. C. F. (org.). A comprehensive list of Gods and Goddessesof Ancient Egypt. p. 276. Disponível em:
PINCH, Geraldine. Handbook of Egyptian Mythology. ABC-CLIO, 2002. p. 190-192.
WAINWRIGHT, G. A. Seshat and the Pharaoh. Journal of Egyptian Archaeology. n.26. 1940. p.30–40.

SEKHMET: A Poderosa

Conta o mito egípcio da Vaca Celestial, encontrado em uma parede de tumba, sobre a destruição da humanidade. Ra foi um dos deuses primordiais do Egito. Quando sua pele de ouro, seu osso de prata e seu cabelo de lápis-lazúli (pedra azul) estavam velhos, os homens começaram a questionar sua autoridade como governante e duvidar do seu vigor. Cansado pelos questionamentos dos homens, Ra decidiu vingar-se e punir aqueles que conspiravam contra ele.

O deus do Sol retira seu olho esquerdo e convoca Hathor (deusa da beleza, amor, música, alegria), ela deveria usar seus poderes para realizar a vingança de Ra. Como uma deusa das festas ajudaria Ra a cumprir seu objetivo? Ele a transformou em Sekhmet, deusa com cabeça de leoa e corpo de mulher, e ela foi enviada a terra.

Sekhmet extermina os homens que desafiavam o poder do deus do Sol. O que Ra não contava era que Sekhmet ficaria fora de controle e sedenta por sangue. Ela começou a devorar todos os homens e iria parar somente com o fim da humanidade. Ra não queria a destruição de toda humanidade. Arrependido, decidiu que o “massacre” deveria parar. O deus ordenou que se preparasse sete mil jarros de cerveja misturada com uma semente vermelha. Pela manhã, Sekhmet encontrou a cerveja pintada de vermelho, pensando que era sangue, ela bebeu o quanto pode. Com Sekhmet totalmente embriagada, Ra consegue controla-la e ela volta ao seu lugar original (a deusa é o seu olho esquerdo), transformando a deusa em Hathor novamente.

Todos os anos uma festa era celebrada dedicada à deusa Sekhmet, o Festival da Bebedeira era realizado geralmente no último dia do mês da inundação do rio Nilo, durando cinco dias. Homens e mulheres participavam da festa ingerindo grande quantidade de vinho e cerveja até chegarem à total embriaguez, acreditando que esse estado permitiria o contato com a deusa.

Sekhmet significa a Poderosa, pode ser associada como divindade da guerra, dos conflitos e das epidemias. Quando as pessoas adoeciam geralmente pedia-se proteção a Sekhmet, pois somente a deusa que é a causadora das epidemias pode curá-las. Sekhmet pode ser aliada a figura da deusa Bastet, como sua forma “dócil”.

Os egípcios antigos produziram inúmeras estatuas da deusa Sekhmet, principalmente fabricadas em diorito, mais conhecido como “granito negro”. No templo de Mut, em Luxor, foram encontradas o maior numero dessas estatuas, criadas por Amenhotep III, que foram preservadas até o período Ptolomaico. Hoje podemos observar alguns exemplares em diversos museus espalhados pelo mundo, como por exemplo, no Museu Metropolitano de Arte (The Metropolitan Museum of Art), em Nova York, o qual possui o maior acervo dessas estatuas, nos permitindo apreciar a arte egípcia e essa deusa importantíssima para crença do Antigo Egito.

Shara Lorena Gritten Mello

Um Lugar para os justos: concepção de vida além-túmulo dos Antigos Egípcios

No Egito Antigo sempre houve uma preocupação com a vida além-túmulo, muitas concepções foram construídas ao longo de três mil anos de história. Na crença egípcia acreditava-se que o ser humano era dividido em partes físicas e não físicas, no momento da morte elas se separavam e voltariam a se reunir no outro mundo. As partes físicas eram: O corpo físico (Ket), a sombra (Shut), o nome (Ren) e o coração (Ib).As partes não físicas: A força vital (Ka), princípio da mobilidade (Ba) e o princípio da imortalidade (Akh).

Uma dasconcepções de vida após a morte bastante presente no contexto funerário dos faraós dizia que após a morte,o defunto se juntaria ao deus Rá em sua barca, ajudando-o a vencer a serpente Apep a qual enfrentaria todas as noites. Com a vitória, o sol poderia renascer em um novo dia.

Com as dinastias do Reino Médio (2050-1750 a.C.) as práticas funerárias se popularizaram e a mumificação tornou-se acessível a todas as pessoas. A concepção mais aceita pelos antigos egípcios, a partir desse momento, foi a de uma vida eterna no Paraíso Agrário do deus Osíris, que foi um deus cultuado desde as primeiras dinastias do Egito Antigo, primeiramente foi adotado como deus da vegetação. Sua missão na terra, juntamente com sua esposa e irmã, a deusa Isis, era ensinar a agricultura, as leis, as confecções de objetos e a religião para os egípcios.

Osíris se tornou um deus adorado por todo o Egito, seu irmão Seth era muito invejoso e queria tomar o seu trono. Seth elaborou um plano, mandando construir uma arca com as medidas exatas de seu irmão. Em uma festa, Seth ofereceu a arca como presente para quem pudesse entrar nela. Vários deuses tentaram e nenhum se encaixou. Quando Osíris entrou na arca coube perfeitamente, então Seth prendeu-o lacrando a arca com chumbo. Logo após, o deus é lançando ao rio Nilo, morrendo afogado. Isis utilizando-se de magia recupera o corpo de seu marido e retorna para o Egito, com medo ela o esconde, porém Seth encontra-o. Tomado pelo ódio, Seth corta o corpo do irmão em 14 partes e as espalha pelo Egito. Isis recupera essas partes com a ajuda de outros deuses, como Anúbis. Eles então mumificam Osíris que renasce tornando-se juiz da Sala das Duas Verdades.

A morte não era o fim para os antigos egípcios.O maior medo era se tornar um morto para sempre. Isso aconteceria quando o egípcio não era justo em vida e infringisse uma das 42 regras de Maat. Para assegurar que o defunto se juntaria a Osíris, ele deveria passar por um julgamento que aconteceria na Sala das Duas Verdades. O morto seria guiado pelo deus Anúbis, que através da magia, o coração (Ib) seria retirado para a pesagem. O coração era uma das partes mais importantes para o egípcio, pois era a consciência. De um lado da balança seria depositado o coração e do outro estaria a pena de Maat (símbolo da verdade e da justiça). A sentença era dada e os resultados eram anotados pelo deus Toth. Se fosse positivo, o morto se juntaria ao deus Osíris e viveria eternamente nos campos de Aaru (Paraíso Agrário). Se negativo, o coração do defunto seria devorado pela deusa Âmit, divindade com corpo de leão, pernas de hipopótamo e cabeça de crocodilo. Assim, o morto desapareceria, pois para os egípcios eram necessária todas as partes para renascer no outro mundo. Por esse motivo, muitos amuletos e fórmulas mágicas foram produzidos para assegurar que o coração não se virasse contra seu dono, garantindo a boa passagem do morto para o além.

Shara Lorena Gritten Mello

Adoração ao Sol

A religião desempenhou um papel fundamental na história da civilização egípcia antiga, havendo interferido em todas as áreas da sociedade. Nesse sentido, a adoração aos deuses nos quais os egípcios acreditavam fazia-se essencial, de forma a manter seus pedidos e agradecimentos pelo que as divindades haviam feito pelos homens.

Uma das divindades mais importantes e mais lembradas do panteão egípcio é o deus Rá, também chamado de Rá-Harakhti. Considerado o deus-Sol, Rá era representado por corpo de homem, cabeça de falcão e um disco solar sobre a cabeça. Além disso, Rá era associado à realeza.

Seu principal centro de culto era a cidade de Iunu, localizada ao norte do Egito e chamada pelos gregos de Heliópolis. Segundo a crença egípcia, essa foi a cidade onde Rá viveu e de onde governou o Egito antes do surgimento das dinastias históricas. Por esse motivo, os faraós eram considerados seus descendentes.

Por conta do desenvolvimento agrícola ocorrido no território egípcio, os moradores locais deram ao Sol e, consequentemente, ao deus Rá, a supremacia, uma vez que passaram a reconhecer a luz solar como elemento fundamental para a produção de alimentos.

Durante toda a história da civilização egípcia antiga existiram vários mitos que explicavam como havia ocorrido a criação do mundo e de tudo o que nele existe. Nesse sentido, um dos mitos mais conhecidos é o da cidade de Heliópolis.

No mito de Heliópolis, Rá era visto como a divindade criadora que havia surgido das águas caóticas sobre um monte de terra e teria originado um casal de deuses, Shu e Tefnut que, por sua vez, deram origem à Geb e Nut, deuses da terra e do céu, respectivamente. Estes dois deuses teriam criado outras quatro divindades: Osíris, Ísis, Néftis e Seth. As nove divindades acima citadas formavam a enéade de Heliópolis.

Para os egípcios, deus Rá nascia a cada manhã, cruzava o céu na barca solar, durante a noite viajava pelo mundo subterrâneo e lutava contra a serpente Apófis, personificação do mal, e a vencia todas as noites, de forma a permitir que outro dia surgisse. Além disso, os egípcios acreditavam que o deus-Sol possuía várias formas ao longo do dia: ao amanhecer era Kepri, uma divindade relacionada ao escaravelho, ao meio-dia era Rá propriamente dito e ao entardecer era Atum, um deus com forma humana que portava a coroa do Alto e Baixo Egito sobre sua cabeça.

O ciclo solar assumiu grande importância na história da civilização egípcia antiga por haver originado diversas concepções mitológicas, como a da “destruição da humanidade” e a de “Ísis e Rá”, que têm como fato principal o envelhecimento do sol.

De acordo com o mito da destruição da humanidade, Rá teria enviado à terra uma deusa vingativa chamada Sekhmet, representada como uma mulher com cabeça de leoa, para que punisse a humanidade por conta das atitudes negativas dos homens. No entanto, a raiva de Sekhmet teria tornado-se incontrolável, o que fez com que a deusa matasse pessoas inocentes. Para evitar que toda a humanidade fosse destruída por Sekhmet, Rá tingiu de vermelho vários barris de cerveja e deixou em locais onde a deusa poderia encontrá-los. Assim, ao acordar com sede e tomar o líquido pensando ser sangue humano, Sekhmet teria ficado embriagada, esquecendo-se de sua grande raiva e, dessa forma, deus Rá teria livrado a humanidade da destruição.

Ao longo de toda a história da civilização egípcia, deus Rá fora relacionado a outros deuses, sobretudo a partir da V Dinastia. Entre os deuses aos quais o deus-Sol fora associado destacam-se Kepri, Atum, Amon e Hórus. Uma das associações mais conhecidas é a de Amon-Rá, quando os faraós do Novo Império o relacionaram com a principal divindade da cidade que havia se tornado a capital do Egito durante esse período.

Thays da Silva