Estatueta do Deus Osíris

Estatueta do Deus Osíris

Período: Ptolomaico – 332-30 a.C.
A original encontra-se no Museu Nacional Egípcio do Cairo.

Osíris aparece representado nas esculturas portando a coroa ladeada por plumas chamada atef, com a barba divina sob o queixo e segurando duas insígnias de poder nas mãos. No princípio da história egípcia era a divindade relacionada á vegetação e á renovação. Porém segundo o mito da cidade de Heliópolis, tornou-se o senhor da eternidade após sua mumificação, o que justifica a representação do deus.

Explore os Tesouros do Museu

O Mito Cosmogônico de Heliopólis

A religião egípcia é um assunto muito interessante e intrigante. No Egito Antigo a religião estava presente em tudo, desde a organização social até mesmo nas explicações das atividades naturais, como por exemplo o nascer e pôr do sol, que só ocorria porque o deus sol Ra assim queria; da mesma forma o rio Nilo que só fluía porque o deus Hapi assim desejava.

Um dos mitos egípcios mais importantes que retratam a criação do mundo é o mito da cidade de Iwnw, conhecida posteriormente como Heliopólis, como foi batizada pelos gregos. Tal mito enfatiza o deus sol Ra como sendo o criador e pai de todos os deuses. E a fonte mais eminente que traz essa mitologia são os chamados Textos das Pirâmides (datado de 2550 a.C.), além de outra muito importante que é o capítulo 17 do livro dos mortos (livro datado de 1580 a.C.), denominado como “Capítulo para sair a luz do dia“, que demonstra a passagem do sol nascente ao poente, onde o sol em si solidificava o pensamento de renovação e o primeiro raio solar caracterizava-se como o ato final da criação divina. E mesmo em datas posteriores pode-se encontrar registros sobre o mito de Heliópolis que se espalharam por várias cidades no decorrer de vários anos.

Segundo o mito exposto no Texto das Pirâmides, no início havia o oceano caótico, chamado Nun. Desse oceano, surgiu uma montanha, o primeiro pedaço de terra, chamado Ben Ben. Das sombras apareceu uma garça real, comparável a uma fênix, denominada Bennu. Essa ave pousou sob a montanha e emitiu um forte grito. O silêncio deu lugar ao som. Então, o pássaro voou. De dentro da montanha surgiu Atum, sua luz tomou o lugar da escuridão e da não existência. Ra tomou a forma de Atum, tornando-se “Ra-Atum”.

Atum cuspiu seus filhos e vomitou suas filhas, dentre eles o deus Shu, relacionado com o ar atmosférico. Depois surgiu sua irmã Tefnut, associada ao orvalho e a umidade, ambos tiveram uma união estável que originou outras duas divindades, Geb e Nut. A primeira tornou-se a terra e a segunda o céu estrelado. Ra não queria que ocorresse a criação de novos deuses, então ordenou que seu filho separasse os dois netos para evitar que mantivessem qualquer tipo de relação. Shu, em obediência a seu pai, fez a separação de seus filhos, colocando-se entre o céu e a terra. O mito também faz referência ao deus Toth que tentou ajudar os dois irmãos. Para isso, ele jogou e venceu uma partida de Senet com o deus Khonsu (deus da lua), o que originou mais cinco dias no calendário egípcio, permitindo que os dois jovens deuses pudessem se relacionar. Com isso, Geb e Nut deram origem a seus filhos sendo eles Osíris, relacionado com a vegetação e rei dos mortos, Ísis – deusa da magia, Seth – deus do caos, e do deserto e, por último, Néftis – deusa protetora das tumbas.

O mito de criação é muito importante para a compreensão da religião egípcia, pois esse mito demonstra as principais características religiosas da sociedade, e o quão devotos eles eram para com os seus deuses. Ele demonstra do mesmo modo as diferenças e as individualidades de cada deidade. O livro dos mortos, um dos principais registros da criação do mundo, demonstra-se mais evoluído do que o Texto das Pirâmides, por exemplo. Essa mudança demonstra a evolução não só do povo egípcio, mas também de suas crenças.

Trecho do “Livro dos Mortos” que representa a separação do céu e da terra – deusa Nut (céu) que aparece com o corpo longo e arqueado, deus Shu que a sustenta e deus Geb demonstrado deitado.

Imagem em auto relevo do deus sol Ra

Estatua do deus Hórus em sua forma zoomórfica.

Por: Bruno Luiz Deniski – Estagiário no Museu Egípcio e Rosacruz.

Referência Bibliográficas:

DESPLANCQUES, Sophie. Egito Antigo.

TRAUNECKER, Claude. Os deuses do Egito.

DAVID, Rosalie. Religião e Magia no Egito Antigo.

A Deusa Néftis: aspectos e definições

Embora pouco lembrada, Néftis é uma deusa da enéade da cidade de Heliópolis, e uma das principais divindades presentes no panteão dos egípcios antigos, tendo sua aparência idêntica à de sua irmã Isis. Porém, muitos de seus aspectos são misteriosos até os dias de hoje.

Na mitologia desenvolvida na cidade de Heliópolis, Néftis era esposa do deus Seth, que era estéril, e para poder conceber um filho se disfarçou de Isis, que era casada com Osíris, e passou uma noite com o marido de sua irmã. Desse ato nasceu Anúbis, deus da mumificação.

As principais representações iconográficas da deusa aparecem em tumbas ou sarcófagos. Podemos usar para melhor entende-la os “Textos das Pirâmides” e os “Textos dos Sarcófagos”, que são um conjunto de fórmulas mágicas, encontrados nos caixões e paredes das tumbas. Seu nome significa “Senhora da Casa” ou “Senhora do Templo”, embora ainda não se tenha encontrado nenhum centro de culto dedicado a deusa.

A literatura egípcia esclarece pouco sobre o papel de Néftis, pois antes da mitologia da cidade de Heliópolis, não se conhece outro texto com citação sobre a deusa. O que sabemos é que ela está ligada com a mitologia Osiriana. Muitas vezes, Néftis aparece associada com Isis e no contexto funerário elas protegem o morto. Isis vai a frente do morto protegendo seus pés, Néftis vai atrás protegendo a cabeça. Segunda a mitologia, Néftis chorou com sua irmã pelo falecimento do deus Osíris. Dentro das tumbas a deusa aparece como protetora dos mortos e dos vasos canópicos. Muitos amuletos foram produzidos para a deusa principalmente durante as 22° e 26° dinastias egípcias, onde a produção desses objetos é muito comum. Infelizmente podemos saber apenas alguns aspectos e definições de Néfits, porém, ela foi largamente representada no Egito, desde o Reino Antigo chegando até a Baixa Época. Por mais que o papel da deusa não fique completamente definido, podemos concluir que ela foi muito importante para os egípcios, pois ela é a mãe do deus da mumificação, Anúbis, além de estar relacionada à crença da vida além-túmulo, pois auxiliava o morto em sua travessia para os campos de Osíris.

Shara Lorena Gritten Mello