Sessão Extra de Autógrafo do Dr. Zahi Hawass

[vc_row][vc_column][vc_column_text]Você que esteve presente na palestra do Dr. Zahi Hawass e não conseguiu autógrafo no livro, não fique triste!
Neste domingo, dia 08 de setembro, às 14h00, Zahi Hawass fará uma segunda sessão de autógrafos no Hall de entrada do Museu Tutankhamon.

Serviço:
Sessão de autógrafos no Museu Tutankhamon
Data: 08 de setembro – domingo
Horário: das 14h00 às 15h00
Endereço: Rua Nicarágua, 2620
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Paleta de Narmer

Este artefato pode representar a transição do período pré-dinástico para o dinástico egípcio. Na parte superior dos dois lados desta placa, o nome do faraó aparece protegido pelas cabeças da deusa Bat dentro de um Serekh, uma representação de fachada de palácio

O papel das mulheres nos templos egípcios

A atuação das mulheres nos ritos egípcios variou muito ao longo do tempo. Muitas delas tiveram papéis importantes em diversas funções, pois atuavam no culto aos deuses no Egito Antigo. O programa Presença & Harmonia entrevista a professora e doutora em História Antiga, Liliane Cristina Coelho, para falar sobre o papel das mulheres nos templos egípcios.

As abominações do país: o assassinato do faraó Ramsés III

Por Ewerson Dubiela – Historiador do Museu Egípcio

Ramsés IV statue

Ramses Usermaatra Meryamon é conhecido por nós como Ramsés III. O faraó governou durante quase 32 anos, entre 1194 e 1163 a.C.[1] e foi o segundo rei da XX Dinastia (1196-1070 a.C.). Sua tumba original encontra-se na margem ocidental do Nilo, uma das dezenas escavadas na rocha, porém, o corpo acabou por ser removido pelos próprios egípcios antigos por conta dos roubos dos enxovais funerários, sendo encontrado no final do século XIX, em 1881, em um esconderijo real de Deir el-Bahari, denominado como DB320.

A múmia de Ramsés III está em excelente estado de conservação, fato observável a partir dos primeiros exames que ocorreram no Museu Nacional Egípcio, no Cairo, também em fins do século retrasado. A autópsia não pode identificar feridas, evidencias de sufocamento, estrangulamento ou envenenamento e, por isso, houve a ideia de que o governante pudesse ter morrido de uma doença chamada arteriosclerose. A partir de 2012, um grupo de pesquisadores[2] realizou diversos exames antropológicos, forenses, radiológicos e genéticos em múmias do Museu Nacional Egípcio, dentre elas, a de Ramsés III.

O corpo do faraó Ramsés III possui um tecido que envolve o pescoço. Conforme se aplicou o exame de Tomografia Axial Computadorizada, TAC, pôde-se observar um ferimento, produzido por uma lâmina afiada de quase 7 cm de comprimento. Tal ferimento se deu da 5ª até a 7ª vértebra, somando a destruição dos tecidos moles dessa área. O TAC identificou também que a cavidade do ferimento acabou por ser preenchida com materiais que os sacerdotes egípcios usavam na mumificação dos cadáveres. Entretanto, há um pequeno amuleto wdjat, olho de Hórus, de 15 mm colocado na abertura, a intenção poderia ser proporcionar integridade e saúde, além da reparação do dano através de magia.

De maneira mais recente, outro estudo[3] sugere que o assassinato se deu após luta, já que um dos dedões do pé do faraó foi decepado e o ferimento não teve tempo de cicatrizar. Assim, a possibilidade é que o ataque pode ter sido realizado por duas pessoas, uma pela frente de Ramsés III com uma espada ou machado e outra por trás do rei, atingindo-o com uma faca ou adaga no pescoço. É possível que esse episódio tivesse como objetivo não apenas a morte do governante, mas também a remoção do príncipe herdeiro, Ramsés[4].

As informações sobre a tentativa de assassinato do rei estão contidas em quatro papiros: Judicial de Turin, Rollin, Lee e Rifaud, sendo o primeiro o mais importante. É no papiro judicial de Turin que o episódio é denominado como “As abominações do país”, também anuncia os membros do tribunal e os jurados, além de apresentar uma primeira lista de acusados qualificados, cada um, como “Grande inimigo” e detalhar o envolvimento destes.

Sabe-se que o complô havia nascido no harém real, com a Grande Esposa, Tiye. Esta era mãe de um dos príncipes mais próximos à Ramsés III, Pentawera. Diversos funcionários reais e parentes destes estão relacionados com o regicídio, como Pabakkamen, que era chefe da câmara e dos lacaios do rei e Ashahebsed, seu assistente. No papiro se diz:

O Grande Inimigo Pabakkamen, que havia sido chefe da câmara. Foi traído por sua cumplicidade com Tiye e as mulheres do harém e por fazer causa comum com elas. Ele começou a levar as mensagens para fora, para as mães e os irmãos daquelas que se encontravam aqui, dizendo: ‘Levanta as gentes e incita a inimizade para que se rebelem contra o seu Senhor’.

O papiro judicial de Turin traz instruções prévias, audiências com veredictos, emissão de sentenças e execução dessas, também irregularidades como tentativas de suborno – general Payis a membros do tribunal. Aos condenados pelo assassinato do rei diversos tipos de punição foram aplicados: corporais, mágicas e morais.[5] Por fim, podemos nos perguntar quais foram as motivações para tal crime. Observando o governo de Ramsés III, percebe-se que o rei tinha preferência pelos membros da elite do Baixo Egito e, de certa forma, excluía os do Alto Egito, o que pode ter gerado um certo remorso e competitividade. O reinado também foi marcado por problemas de corrupção, incursões de povos vizinhos no Egito e complicações administrativas. As incursões e derrotas desses povos estão registradas no templo funerário de Ramsés III, Medinet Habu, um dos monumentos erigidos pelo rei por conta da situação de estabilidade em que o Egito se encontrava, apesar dos ataques exteriores. O templo em si, bem como o as representações do governante, foram baseadas no reinado de Ramsés II.[6] Quanto às complicações administrativas, podemos citar, no âmbito palaciano, o casamento do faraó com duas grandes esposas, ao invés de uma como era a prática. A primeira, que já mencionamos, era Tiye, mãe de Pentawera. Ela era filha de nobres do Alto Egito. A segunda era Isis, filha de um alto funcionário de origem estrangeira, estabelecida no Baixo Egito. Isis deu luz à Ramsés. Os dois príncipes eram muito próximos ao pai e bem relacionados quanto à sucessão do trono, entretanto, a partir do ano 22 de reinado, Ramsés III escolheu o filho de Isis, Ramsés, para ser seu herdeiro. Portanto, houve a condenação de um e a elevação de outro, apesar dos dois terem o mesmo direito à coroa. Além disso, a promoção de modificações dos títulos na área monumental e a construção diferenciada de tumbas aumentou a desigualdade, fomentando a rivalidade entre irmãos.

O assassinato de Ramsés III foi levado a cabo, conforme mostrou as imagens do TAC, porém, a conspiração foi descoberta e, assim, Pentawera acabou por ser responsabilizado e Ramsés IV assumiu o trono por cerca de 7 anos. É possível que Pentawera seja a famosa “múmia que grita”. Um rapaz de 18 a 22 anos de idade quando morreu, identificado hoje como “Homem desconhecido E”. Foi descoberto na mesma época e na mesma tumba que Ramsés III. Diferente de outras múmias, esta foi preservada sem que houvesse a remoção dos órgãos internos e sem emprego de faixas de linho ou preservação do nome, tendo sido enfaixado com pele de carneiro e, possivelmente, estrangulado ou enforcado, dado os elementos identificados no TAC e sua expressão de contorção.

 

Múmia de Pentawera
Múmia de Ramsés III
Estátua de Ramsés III

[1] BRANCAGLION, Antonio. Quadro Cronológico – Lista de Reis. Laboratório Seshat. Museu Nacional UFRJ.

[2] HAWASS, Zahi; ISMAIL, Somaia; SELIM, Ashraf; SALEEM, Sahar N; FATHALLA, Dina; WASEF, Sally; GAD, Ahmed Z; SAAD, Rama; FARES, Suzan; AMER, Hany; GOSTNER, Paul; GAD, Yehia Z; PUSCH, Carsten M & ZINK, Albert R. Revisitin the Harem conspiracy and death of Ramesses III: anthropological, forensic, radiological and genetic study. Christmas. 2012.

[3] HAWASS, Zahi; SALEEM, Sahar. Scaning the pharaohs: CT Imaging of the New kingdom Royal Mummies.

[4] GALLARDO, Francisco L. Borrego. Un rey, un háren y magia negra: el asesinato del faraón Ramsés III. Universidad Autónoma de Madrid.

[5] Idem.

[6] BAINES, John; MÁLEK, Jaromír. A civilização egípcia. Grandes civilizações do passado. Folio.

Referências Bibliográficas

BAINES, John; MÁLEK, Jaromír. A civilização egípcia. Grandes civilizações do passado. Folio.

DESPLANCQUES, Sophie. Egito Antigo. Porto Alegre. L&PM pocket. 2013.

GALLARDO, Francisco L. Borrego. Un rey, un háren y magia negra: el asesinato del faraón Ramsés III. Universidad Autónoma de Madrid.

HAWASS, Zahi; ISMAIL, Somaia; SELIM, Ashraf; SALEEM, Sahar N; FATHALLA, Dina; WASEF, Sally; GAD, Ahmed Z; SAAD, Rama; FARES, Suzan; AMER, Hany; GOSTNER, Paul; GAD, Yehia Z; PUSCH, Carsten M & ZINK, Albert R. Revisitin the Harem conspiracy and death of Ramesses III: anthropological, forensic, radiological and genetic study. Christmas. 2012.

HAWASS, Zahi; SALEEM, Sahar. Scaning the pharaohs: CT Imaging of the New kingdom Royal Mummies.

JOHNSON, Paul. O Egito Antigo. 2010.

WILKINSON, Richard H. Egyptology today. Cambridge. 2008.

E-Referências

ALENCAR, Lucas. Pesquisa revela detalhes do assassinato do faraó Ramsés III. In: Revista Galileu online. 2016. Disponível em: Acesso em 04/2019.

CIÊNCIA E SAÚDE. Tomografia revela que faraó egípcio teve garganta cortada.In: G1.Globo. 2012. Disponível em: Acesso em 04/2019.

COSTA, Márcia Jamille. Ramsés III foi assassinado com corte na garganta. 2012. Disponível em: Acesso em 04/2019.

CULTURA. Revelado mistério da morte do faraó Ramsés III. In: JN. 2012. Disponível em: Acesso em 04/2019.

DALEY, Jason. CT Scan shows pharaoh Ramesses III was murdered by multiple assassins. In: Smithsonian. 2016. Disponível em: Acesso em 04/2019.

OLIVETO, Paloma. Ciência revela complô de 3 mil anos: Ramsés III teve garganta cortada. Disponível em: Acesso em 04/2019.

PRESSE-FRANCE, Agência. Ciência revela complê de 3 mil anos: Ramsés III teve garganta cortada. In: Correio Brasiliênse. 2012. Disponível em: Acesso em 04/2019.

HALE, Tom. CT Scan reveal brutal injuries on pharaoh Ramesses III. In: IFLScience. 2016. Disponível em: Acesso em 04/2019.

BJM, The. Egyptian Pharaoh. The Mummy of king Ramesses III. In: Live Science. 2016. Disponível em: Acesso em 04/2019.

ESPETACULAR, Domingo. Faraó Ramsés III e a múmia que grita. In: Rede Record de Televisão. 2018. Acesso em 04/2019.

 

[1] BRANCAGLION, Antonio. Quadro Cronológico – Lista de Reis. Laboratório Seshat. Museu Nacional UFRJ.

[2] HAWASS, Zahi; ISMAIL, Somaia; SELIM, Ashraf; SALEEM, Sahar N; FATHALLA, Dina; WASEF, Sally; GAD, Ahmed Z; SAAD, Rama; FARES, Suzan; AMER, Hany; GOSTNER, Paul; GAD, Yehia Z; PUSCH, Carsten M & ZINK, Albert R. Revisitin the Harem conspiracy and death of Ramesses III: anthropological, forensic, radiological and genetic study. Christmas. 2012.

[3] HAWASS, Zahi; SALEEM, Sahar. Scaning the pharaohs: CT Imaging of the New kingdom Royal Mummies.

[4] GALLARDO, Francisco L. Borrego. Un rey, un háren y magia negra: el asesinato del faraón Ramsés III. Universidad Autónoma de Madrid.

[5] Idem.

[6] BAINES, John; MÁLEK, Jaromír. A civilização egípcia. Grandes civilizações do passado. Folio.

Pirâmides, Templos e Tumbas: Conheça o Cenário da Nova Exposição do Museu Egípcio e Rosacruz

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A mostra retrata a estrutura física e simbologias relacionadas a esses espaços e demonstra como a arquitetura estava totalmente conectada ao modo como o egípcio antigo compreendia o seu mundo

Os elementos arquitetônicos têm um simbolismo único. Cada construção revela aspectos extraordinários que foram construídos para durar pela eternidade. Essa é a nova temática trabalhada na XVI Exposição de Longa Duração do Museu Egípcio e Rosacruz. Cerca de 150 itens compõem a mostra “Akhet: o horizonte dos deuses” que poderá ser vista de outubro de 2018 até setembro de 2020. De acordo com a supervisora cultural da Ordem Rosacruz, AMORC, em Curitiba, Vivian Tedardi, esse tema é atrativo e gera curiosidade nas pessoas. “Montamos essa exposição devido ao interesse do público em relação às construções do Egito Antigo e, principalmente, em relação às pirâmides de Gizé”, conta Vivian destacando que recentemente, na área externa do museu, uma equipe esteve envolvida com o restauro do Portal de Akhenaton (2016) e do Memorial Rosacruz (2018) onde pinturas, escritas e elementos arquitetônicos foram estudados e implementados. Nesse sentido, surgiu a ideia de correlacionar o elemento arquitetônico com a nova exposição.

Preparar uma mostra com essa finalidade exige muito estudo e dedicação. O historiador Ewerson Thiago da Silva Dubiela, responsável pelo Museu Egípcio, explica que após a escolha do tema e das peças para a exposição, foram elaborados textos explicativos em conformidade com o conteúdo representado em cada sala do museu. “De acordo com o acervo disponível decidiu-se trabalhar com três eixos: Pirâmides, Templos e Tumbas. As peças escolhidas fazem conexão com esses itens, além de contar com a criação de artes gráficas. A elaboração da mostra levou cerca de 8 meses para ficar pronta e a montagem 10 dias”, explica Ewerson.

Depois de trabalhar a literatura egípcia antiga remetendo de maneira especial aos textos referenciais, ou seja, onde as divindades são as personagens principais, nessa nova mostra o foco é demonstrar como a arquitetura aplicava-se ao pensamento mitológico. “Akhet, em egípcio antigo, quer dizer horizonte e este é o mundo dos deuses, onde eles habitavam e para onde as almas deveriam se dirigir a fim de viver eternamente”, ressalta Vivian. Para ela todos os objetos desta exposição estão inseridos em um contexto histórico-arqueológico para a compreensão do discurso que se construiu para a exibição, pois as exposições do Museu Egípcio mudam a cada 2 anos para dar novos olhares para os objetos do acervo e, assim, disponibilizar novos conteúdos para os visitantes.

As visitas escolares monitoradas ganham um novo contexto também. “As explicações são adaptadas ao novo tema. Vale lembrar que os monitores são estudantes do curso de História de diversas instituições universitárias e são preparados para aplicar o discurso de maneira a prezar o aprendizado da sala de aula. Uma monitoria nunca é somente um passeio ao museu, mas uma verdadeira aula de campo”, finaliza Ewerson.

Com um contexto único que tem um acervo rico baseado na cultura egípcia antiga, também acrescenta conteúdo à educação da sociedade, o Museu Egípcio e Rosacruz foi fundado em 1990 para contar, por meio de suas peças, a história dos faraós, do cotidiano e da religião do povo egípcio. A peça de maior destaque é a de uma múmia egípcia original, a Tothmea, que tem cerca de 2700 anos.

xplorando o Museu Egípcio e Rosacruz

Logo na entrada é possível apreciar uma réplica da Estela de Roseta, documento esse que tornou possível decifrar a escrita hieroglífica. A seguir há uma descrição do que o visitante encontrará em cada sala do museu.

Sala 1: (Pirâmides e Mastabas) – destacam-se aqui ferramentas que eram usadas por trabalhadores nas construções, imagens de Imhotep – um arquiteto real que projetou a primeira pirâmide egípcia (Djoser) e que mais tarde foi adorado como divindade pelos egípcios – além disso, há fragmentos de relevos das mastabas (forma de tumba anterior às pirâmides) que pertenciam aos nobres.

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Sala 2: observa-se objetos do cotidiano dos templos que eram usados pelos sacerdotes ou pelos reis nos momentos de culto. Também é possível apreciar alguns elementos arquitetônicos como a estátua colossal de Amenhotep IV – Akhenaton e a esfinge da rainha-faraó Hatshepsut.

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Sala 3: conta com diversos objetos que eram colocados nas tumbas como as estatuetas shabits, pequenos servidores que tomavam vida no outro mundo e serviam ao defunto. Também existe a estátua do deus Sokar, uma divindade diretamente relacionada com um dos espaços arquitetônicos funerários desde o tempo da construção das pirâmides – trata-se do deus do inframundo que é representado pelo poço ou “sala do poço” na tumba. Pode-se ver pinturas da tumba do arquiteto Sennedjem, além da porta de sua tumba. E claro, a maior representação de arquitetura funerária continua sendo a tumba da múmia egípcia Tothmea.

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A nova face de Tothmea – a múmia do Museu Egípcio e Rosacruz

O tema Egito exerce fascínio em muitas pessoas. A terra dos faraós tem suas belezas e é envolta em muitos mistérios. Aqui no Brasil existe um complexo egípcio que tem um museu e nele encontra-se a única múmia egípcia original do país. Estamos falando do Museu Egípcio e Rosacruz, que fica na cidade de Curitiba, e conserva em seu acervo como peça principal Tothmea: a múmia de uma dama egípcia com aproximadamente 2.700 anos e que está no museu desde 1995.



Em 2013 um trabalho de reconstrução facial da Tothmea foi realizado pelo Designer 3D Cicero André da Costa Moraes (mas conhecido como Cicero Moraes), em conjunto com o Museu Egípcio e Rosacruz, em um projeto que envolvia muitos estudos e que passa agora por uma atualização. “O projeto “Tothmea+6” nasce neste contexto de apresentar à sociedade paranaense os resultados de todos esses anos de pesquisa apresentando à população uma nova reconstrução facial da múmia Tothmea, utilizando técnicas atualizadas, mas não deixando de fora parte considerável dos estudos de revelação dos ossos e partes internas, iniciados ainda na década de 1990”, explica Cicero. A diferença principal entre o primeiro projeto e a atualização é a arte final, posto que a estrutura dos ossos (crânio) é a mesma utilizada na primeira reconstrução. “Basicamente estamos fazendo um upgrade na face com as tecnologias acumuladas nesses 6 anos”.



Para o Arqueólogo Moacir Elias Santos, responsável pelo Projeto Tothmea, esse é um trabalho muito importante para a arqueologia e seus estudos, pois as reconstruções, na realidade aproximações faciais, são feitas a partir de técnicas que reúnem estudos de antropologia biológica, identificando inicialmente o sexo e a idade provável do indivíduo que é objeto de estudo, e medições de pontos craniométricos, que correspondem às espessuras das camadas de músculos, gordura e pele, obtidas de indivíduos vivos (ou mortos). “Com os pontos distribuídos em locais específicos do crânio, é possível recriar os músculos e a pele de forma que o modelo vai ganhando vida. Posteriormente o trabalho é finalizado com a indumentária e estilo do cabelo, feitos com base em pesquisas históricas e arqueológicas. É um trabalho muito específico e fundamental no campo de estudos da arqueologia, pois por meio desta técnica é possível visualizarmos como seria o indivíduo em questão. No caso de restos humanos percebe-se claramente que esta é uma forma de humanizá-lo, visto que muitos que têm acesso aos restos humanos em museus, tendem a observá-los como objetos, esquecendo que estes foram pessoas que viveram há muito tempo e, tal como nós, tinham seus afazeres, sua família, riram e choraram”, conta Moacir. Cicero Moraes ressalta essa importância esclarecendo que “a reconstrução facial na arqueologia geralmente tem o propósito de humanizar os achados e estudos. É a ponta do iceberg composto pelo trabalho minucioso de uma série de pesquisadores. É a coroação pública de tudo isso, pois permite que os visitantes do museu se identifiquem com a Tothmea ao passo que saibam um pouco mais sobre a história dela, do seu povo e do seu tempo”.



Quando foi realizado o Projeto Tothmea foi possível coletar diversos dados sobre a múmia com a pesquisa podendo revelar a todos os detalhes de como ela foi mumificada, sua idade e sua história, desde que ela foi levada do Egito para os Estados Unidos até a sua chegada no Brasil. “Quando realizamos a reconstrução da face, que havia sido quebrada em algum momento entre a década de 1930 e 1972, a partir dos fragmentos dos ossos que permaneceram dentro do crânio tornou-se possível não apenas devolver a estrutura anatômica dos mesmos como possibilitou a realização da aproximação facial forense. Para tanto foram empregadas duas técnicas simultâneas, a tomografia feita em 1999 e a fotogrametria, para criar um modelo virtual do crânio. Desconhecemos o uso destas duas técnicas por outros pesquisadores na época, por isso o estudo foi pioneiro. Passados seis anos da realização deste trabalho, a técnica levada a cabo pelo Cícero Moraes passou por um bom aprimoramento o que justificava a construção deste novo modelo, muito mais real do que foi feito anteriormente. Isto é o avanço da ciência e faz parte do trabalho”, explica Moacir.



De acordo com a Supervisora Cultural do Museu Egípcio e Rosacruz de Curitiba, Vivian Tedardi, o projeto Tothmea+6 visa reforçar a relação do desenvolvimento tecnológico com os acervos museológicos. “Mostra como os museus são espaços vivos e que estão sempre em transformação e que, embora seu acervo seja constituído de momentos do passado, é no presente que foca as suas ações, estando inserido nas mudanças que acontecem em nossa sociedade. Ter a oportunidade de ver a face de Tothmea, de uma maneira mais realística, nos aproxima desse passado e concede ao visitante uma oportunidade de ter uma experiência a mais ao visitar o Museu Egípcio e Rosacruz”, destaca Vivian.



QUEM É “TOTHMEA”?



“Tothmea” foi uma egípcia que viveu provavelmente no final do Terceiro Período Intermediário (1070 – 712 a. C.) ou no início do Período Tardio (c. 712 – 332 a. C.) – entre os séculos VI ou VII a. C.. Não sabemos muito sobre sua vida, até mesmo seu nome verdadeiro não é conhecido. Ela recebeu o apelido de “Tothmea” de um senhor chamado Farrar, em 1888, como homenagem aos faraós Tothmés, os quais governaram o Egito durante a 18ª dinastia (entre os anos de 1504 e 1425 a. C.).



De acordo com uma das fontes escritas que consultarmos, datada de 1888, havia uma inscrição no ataúde de “Tothmea” a qual mencionava que ela teria se dedicado a serviço de Ísis. Sabemos que suas funções não eram propriamente sacerdotais, mas não podemos descartar a possibilidade de que ela tenha atuado como cantora ou até mesmo como musicista de um santuário da deusa.



Serviço:



Apresentação do Projeto Tothmea+6



Local: Museu Egípcio e Rosacruz



Endereço: Rua Nicarágua, 2620 – Bacacheri – 82515-260 – Curitiba, Paraná.



Entrada: Acesse aqui



 

ACESSE:

 

 

A Grande Esfinge de Gizé

 

Quando se pensa sobre o Egito Antigo, uma imagem que geralmente vem à mente é a da grande Esfinge de Gizé, que dizem ser coberta de mistérios, charadas e maldições. Mas será que ela realmente representa isso tudo ou haviam outros significados sobre ela?

O grego Heródoto foi um dos primeiros a escrever sobre os egípcios, porém ao chegar na terra das pirâmides, os sacerdotes se recusaram a compartilhar seus conhecimentos com ele, o que levou Heródoto a tomar as próprias conclusões sobre a cultura egípcia antiga.

Uma das observações de Heródoto foi sobre a Esfinge de Gizé, localizada a leste da pirâmide do faraó Kafra (Quéfren) e ligada a ela pelo acesso da rampa entre o templo do vale e o templo da pirâmide. Heródoto acabou por chamar o monumento como “Esfinge” que na realidade é o nome dado a uma criatura da mitologia grega, caracterizada por ter o rosto humano, corpo de leão e asas em suas costas, se dizia que era comum que as esfinges fizessem charadas a humanos, que quando não sabiam responder, acabavam devorados. Assim, Heródoto associou as criaturas mitológicas às estatuas egípcias, criando-se a ideia de que o real significado das esfinges seria esse.

Entretanto, as estatuas representavam o poder e a divindade do próprio faraó, dando a ideia de que o Rei era sagrado e poderoso, e possuía a força e vigor de um leão. A Esfinge de Gizé tem nela representada o rosto do faraó Quéfren, mostrando ser datada da IV Dinastia (2575-2465 a.C.). Um outro fato curioso sobre esta Esfinge, é a Estela dos Sonhos, uma placa de granito posta entre as patas dianteiras da estátua, que fala sobre a primeira tentativa de “desenterrá-la” da areia, já que teria sido soterrada até os ombros após o abandono da necrópole de Gizé. A Estela tem a seguinte inscrição:

“… o filho real, Tothmés, chegou, enquanto caminhava ao meio-dia e sentando-se à sombra deste poderoso deus, foi superado pelo sono e dormiu no exato momento em que Rá estava na cúpula [do céu]. Ele descobriu que a majestade deste deus falou-lhe com sua própria boca, como um pai fala para o filho, dizendo: Olhe para mim, contemple-me, ó Tothmés meu filho, eu sou o teu pai, Harmakhis-Khepri – Ra – Atum, eu conceder-te-ei a soberania sobre o meu domínio, a supremacia sobre a vida… Eis a minha condição real para que tu proteja todos os meus membros perfeitos. A areia do deserto que estou colocado cobriu-me. Salve-me, fazendo com que tudo o que está no meu coração seja executado.”

A Estela fala que o responsável pela primeira escavação, da qual se tem notícia, teria sido o faraó Tothtmés IV (1401-1391 a.C.), que recebeu a mensagem da própria Esfinge através de um sonho, enquanto tirava um cochilo próximo a escultura, no qual ela pedia que lhe fosse removida a areia, e em troca, o deus Sol faria dele rei.

No decorrer do século XIX, em 1817, houve uma nova restauração supervisionada pelo italiano Giovanni Caviglia, descobrindo todo o peito da estátua, e apenas em 1925 foi completamente desenterrada. Em 1926 parte de seu turbante teria caído, por conta da erosão fazendo com que em 1931 engenheiros trabalhassem na região de sua cabeça para uma restauração total, mostrando a Esfinge como temos até os dias atuais.

 

Por: Vinicius Dzala Lara Wassem – Monitor do Museu Egípcio e Rosacruz

BAINES, John; MALIK, Jaromir. Cultural Atlas of Ancient Egypt. London: Andromeda Oxford Limited, 2008.

HART, George. The British Museum Pocket Dictionary of Ancient Egyptian Gods and Goddesses. British Museum Press, 2001.