O Festival de Opet

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Vivian Tedardi – Historiadora

O Reino Novo (1550-1070 a.C.) é o período de grande prosperidade no Egito Antigo. A capital era Tebas e Amon o deus padroeiro da cidade. A ele foi dedicado uma das principais celebrações egípcias: a festa de Opet.

Os dois principais templos de Tebas eram Karnak e Luxor. Estes estavam interligados por uma avenida que, aos poucos, foi sendo decorada com esfinges, um percurso com cerca de 3 km de comprimento.

A festa de Opet compreendia uma grande procissão ao longo da avenida de esfinges onde o deus Amon, sua consorte Mut e filho Khonsu, cada um em sua barca sagrada, eram levados do templo de Karnak até Luxor. Momento que a população poderia estar próxima da imagem do deus, já que no culto egípcio apenas as altas hierarquias sacerdotais e o rei tinham acesso à imagem divina.

O festival ocorria no segundo mês de Akhet, a estação de inundação do rio Nilo. Em egípcio chamava-se “heb nefer en Ipet”, que corresponde à “Bela Festa de Opet”. A palavra opet ou ipet seria uma referência ao santuário onde as estátuas dos deuses seriam levadas quando no templo de Luxor.

A fonte mais antiga que temos sobre esta festa foi registrada na Capela Vermelha da rainha-faraó Hatshepsut, que foi construída em seu governo para abrigar a barca cerimonial quando não estivesse em uso. Além deste registro, encontramos representações do festival no templo de Amon-Rá, em Karnak, e nos templos de Luxor e Medinet Habu. Os relevos mostram que a festa nem sempre ocorreu da mesma maneira. Nos governos de Hatshepsut e Tothmés III ocorriam pela avenida de esfinges, tanto que a rainha-faraó mandou construir seis santuários ao longo da avenida para o descanso das barcas sagradas. No período de Tutankhamon a procissão ocorria pelo Nilo, como é possível observar pelos relevos no templo de Luxor. Mesmo que o percurso tenha mudado ao longo do tempo, sabe-se que a população participava ativamente, as barcas eram escoltadas por soldados e carregadas pelos sacerdotes, membros da elite e o faraó estavam presentes, além de dançarinos, e portadores de oferendas que carregavam o que seria oferecido às divindades. Nos relevos é possível ver a grande quantidade de oferendas que eram dedicadas às divindades.

Quando as estátuas já estavam no templo de Luxor várias cerimônias eram conduzidas nos pátios externos até as barcas chegarem ao santuário interno. Lá apenas o rei e alguns sacerdotes oficializariam os rituais. Sobre esses ritos infelizmente não há informações, nenhum texto que descreve o evento sobreviveu. As representações são basicamente das procissões. Assim, não podemos afirmar com certeza o propósito dos rituais que ocorriam em Luxor.

Uma das interpretações é a de que, como o templo de Luxor não é dedicado a um deus de culto ou uma versão deificada do faraó na morte, e sim dedicado ao rejuvenescimento da realeza, que o ritual teria relação com esta finalidade. Ou seja, ao renovar a força vital da tríade tebana (Amon, Mut e Khonsu), confirmava-se também que o rei tinha a posse do Ka (energia vital) real. Esta renovação da força real e sua ligação com Amon fortalecia a autoridade do rei, em um momento também marcado pelo início de um novo ano. Assim, o rei garantia que seu direito de governar fosse divino consolidando sua linhagem e mantendo o vínculo como filho de Amon-Rá.

Mesmo quando Tebas já não era mais a capital do Egito, os faraós e príncipes viajavam para participar do festival. Diversas festas faziam parte do calendário egípcio, porém “a Bela festa de Opet”, pelo significado que possuía em relação à manutenção da monarquia egípcia, foi uma das mais duradouras, já que foi realizada até o período romano.

FUKAYA, Masashi. The Festivals of Opet, the Valley, and the New Year: their socio-religious functions. Archaeopress Egyptology 28. Oxford, 2019.

https://www.nationalgeographic.com/history/magazine/2019/05-06/ancient-egypt-royal-feast/

https://en.wikipedia.org/wiki/Opet_Festival

Normas de Visitação para reabertura do Museu

Visando a proteção e saúde de todos os que acessam seus espaços nesse período de pandemia de Coronavírus COVID-19, o Museu Egípcio & Rosacruz Tutankhamon comunica:

Devido a grande procura por visitas aos espaços culturais da Ordem Rosacruz, AMORC, o Museu Egípcio & Rosacruz Tutankhamon estende seu horário aos domingos e passa a funcionar das 10h00 às 17h:00, mesmo horário de funcionamento dos sábados.

Dias e horários de funcionamento:

De terça a sexta-feira das 8h às 12h e das 13h às 17h30;

Sábados, Domingos e Feriados: das 10h às 17h;

* Nas segundas-feiras o museu está fechado para visitação.

A entrada ocorre sempre até 1 horas antes do horário de encerramento das atividades.

As visitas serão permitidas de acordo com o decreto nº 1350/2020 da Prefeitura Municipal de Curitiba. Por isso, serão vendidos lotes de até 50 ingressos por hora todos os dias, uma vez que dentro da instituição serão permitidos, no máximo, 50 visitantes.

Caso a quantidade de ingressos de um lote acabe, o visitante deverá aguardar o horário de venda do novo lote.

Assim, o último horário para venda de ingressos, de terça à sexta, será às 16h30.

Nos finais de semana e feriados (exceto às segundas-feiras) será às 16h00.

Os visitantes poderão permanecer até às 17h00 no espaço nos finais de semana e feriados (exceto às segundas-feiras) e 17h30 de terça à sexta.

O protocolo de visitação exige:

  1. Uso de máscara cobrindo o nariz e a boca em tempo integral nos espaços de visitação, recepção e bilheteria;
  2. Distanciamento de 1,80m em todos os espaços do Museu;
  3. Uso de álcool em gel sempre que possível;
  4. Não tocar nas peças, vitrines e outras superfícies;

O Museu Egípcio & Rosacruz Tutankhamon agradece a compreensão e colaboração de todos.

Os alinhamentos astronômicos da Grande Pirâmide de Gizé

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Os alinhamentos astronômicos da Grande Pirâmide de Gizé.

Por Ewerson Dubiela – Historiador do Museu Egípcio e Rosacruz Tutankhamon

Os antigos egípcios, bem como outras civilizações da antiguidade, procuraram conexões e relações com o céu noturno e diurno com a intenção de interpretar seus elementos conforme as necessidades de sua sociedade. Assim, os astrônomos, chamados de sbAy, observavam o movimento do Sol, as fases da Lua, o movimento das estrelas, dos planetas e de outros corpos celestes aparentes, considerando todos como parte de Maat, essa ordem gerada e mantida pelas divindades, onde tudo deveria se repetir dia após dia como no ato da criação. Através dessa atividade, conseguiam elaborar elementos arquitetônicos com significados religiosos e alinhamentos extremamente precisos, além do próprio calendário e rituais específicos.

Estas concepções são, na atualidade, percebidas através da arqueoastronomia, a ciência que observa os artefatos e sítios arqueológicos e suas conexões e reconstruções de seus alinhamentos com os céus.

No caso da Grande Pirâmide do faraó Queops, a sua arquitetura demonstra o desejo do rei em ascender aos céus após o seu enterro. Para compreendermos seus alinhamentos, precisamos recorrer aos Textos das Pirâmides que surgiram, pela primeira vez, na V Dinastia (2465-2323 a.C.) na pirâmide do faraó Unas, em Saqqara. A pirâmide de Queops, bem como as pirâmides de Quéfren e Miquerinos, não possuem decoração ou textos nas suas câmaras e corredores e, por isso, conhecemos seus significados a partir da dinastia seguinte.

A arquitetura da Grande Pirâmide possui um corredor ascendente que leva para fora da pirâmide em um ângulo de 13º que aponta para o polo norte celestial. Ali, podemos encontrar um grupo de estrelas que constituem constelações egípcias. Assim, onde encontramos a constelação de Ursa Maior, os egípcios identificavam a constelação da pata de touro, Meskhetiu; e, possivelmente onde vemos a constelação de Dragão, os egípcios compreendiam Isis-Djamet, ou “Isis, festa no céu” – suas estrelas eram as mais próximas do polo norte celeste. Desse modo, esse grupo de constelações constituíam aquilo que é traduzido nos Textos das Pirâmides como Aquelas que não conhecem o vazio (ikhmw-ski) e percebidas como espíritos akh que deveriam guiar o ba (princípio de mobilidade do ser, podemos compreender como alma) para fora da pirâmide e em sua direção, de maneira a ascender aos céus. O seu nome vem de sua característica, visível até os nossos dias, em que elas não se põem abaixo da linha do horizonte e, devido ao movimento do nosso planeta, de maneira aparente, giram em um círculo perfeito durante a noite toda. Essa movimentação foi notada muito antes da construção do sítio de Gizé, sendo aproveitada pela primeira vez em uma pirâmide pelo arquiteto Imhotep, quando construiu em Saqqara, para o faraó Djoser da III Dinastia (2649-2575 a.C.), a primeira pirâmide do Egito, chamada hoje de escalonada. Todas as pirâmides construídas no Egito, teriam essa demonstração, mesmo que fosse através de uma porta falsa, como foi o caso das construções de períodos posteriores, como as do Reino Médio (2040-1640 a.C.).

Dentro da Grande Pirâmide de Queops, existem três câmaras principais, uma sendo abaixo da estrutura, dedicada ao deus Sokar, uma divindade que habitava o inframundo; outra que é a Câmara da Rainha; e a última que é chamada de Câmara do Rei. Nas duas últimas existem pequenos corredores, chamados de canais de ventilação, apesar de não terem esta função. Ao total são quatro canais, sendo dois na Câmara da Rainha e dois na Câmara do Rei. Respectivamente, dois estão apontados para o polo norte celeste, cujo significado já conhecemos e dois para o sul. Assim, o canal de ventilação sul da Câmara da Rainha está apontado para a estrela Sopedt, a representação da deusa Isis no céu, enquanto que o canal de ventilação sul da Câmara do Rei está apontada para a constelação de SaH, uma forma de Osíris. Dessa maneira, o rei e a rainha seriam conectados à mitologia osiriana. Para nós, Sopedt é a estrela Sothis, presente na constelação de Cão Maior, enquanto a constelação de SaH corresponde a Órion.

Em relação à Gizé, de maneira geral, existem alinhamentos solares que se produzem até os nossos dias e que foram percebidos pelos egípcios antigos. Estes ocorrem em três datas a cada ano: no solstício de inverno, no de verão e no equinócio de primavera. Nessas datas, o sol nasce e se põe entre as pirâmides de Queops e de Quefren produzindo um efeito chamado de hierofania (demonstração do sagrado). Nesse sentido, se reproduzia na paisagem o hieróglifo egípcio Akhet, que quer dizer Horizonte. Como os hieróglifos egípcios são pictográficos, ou seja, são cenas do cotidiano, esta palavra era constituída pelo sinal de duas montanhas e uma esfera solar entre elas. O Akhet, além disso, era também um lugar sagrado e de passagem entre o mundo dos vivos, que fica no Leste, e o mundo dos deuses, que fica no Oeste, para onde os mortos deveriam seguir após o seu enterro.

Por fim, os faraós da IV Dinastia que construíram em Gizé, produziram um grande projeto na paisagem do local. É bastante visível que os arquitetos responsáveis por elas, como Hemiunu, o arquiteto da Grande Pirâmide, se preocupassem com as conexões mitológicas dos reis. Assim, tomaram o cuidado para que suas esquinas sudeste se conectassem numa grande linha reta que foi apontada na direção sudeste-nordeste, para onde estavam as cidades de Hermópolis e Heliópolis, as cidades onde as mitologias da criação divina do mundo e do deus sol, Ra, foram elaboradas, trazendo à tona a importância dos locais e seus sacerdotes e crenças. Nestas localidades, a criação teve início com as águas primordiais ou caóticas constituídas pela ogdoada, um conjunto de oito deuses primevos. Deste oceano cósmico, surgiria uma montanha chamada Ben Ben, o primeiro pedaço de terra. Então, uma ave sagrada chamada Benu pousara e grasnou, acordando o deus que estava adormecido dentro da montanha. A ave voou, enquanto Ra, o deus sol, despertava. Rá iniciou a criação e o propósito das pirâmides era comparar o rei com o próprio deus, pois estas eram a representação de Ben Ben, o que possibilitava ao governante sua assimilação com a divindade solar a partir de sua forma e alinhamentos.

Referências bibliográficas.

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Pereira, Ronaldo Guilherme Gurgel. Gramática fundamental de egípcio hieroglífico para o estudo do estágio inicial da língua egípcia. 2ª edição.

Traunecker, Claude. Os deuses do Egito

Prêmio Travellers’ Choice 2020

O Prêmio Travellers’ Choice de 2020, que insere o Museu no seleto grupo das 10% melhores atrações do mundo. A classificação tem com base avaliações do público feitas em 2019.
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Agradecemos a todos que nos visitam e compartilham momentos inesquecíveis conosco.

A estrela Sóthis

Por Ewerson Dubiela – Historiador do Museu Egípcio e Rosacruz

https://www.osirisnet.net/tombes/artisans/sennedjem1/e_sennedjem1_01.htm.

Em nossa cultura ocidental, a estrela Sóthis é chamada de Sirius e pertence à constelação de Canis Majoris (Cão Maior), sendo ela a estrela alfa. Porém, o nome antigo pelo qual era chamada, Sóthis, vem do grego e, assim como o nome de deuses e faraós, os egípcios a conheciam por seu nome em sua língua mãe, Sopdet. Devemos lembrar que todas as civilizações antigas observavam o céu noturno e lhe conferiam significados especiais e divinos. Com Sopdet, para os egípcios antigos, não foi diferente. Desde o início desse povo, Sopdet foi associada à deusa Isis ao passo que a constelação de SaH, que para nós se trata de Órion, era relacionada à Osíris, portanto, remetia à mitologia osiriana do casal divino que governou o Egito. Isso fica claro quando olhamos para os chamados “canais de ventilação” da Grande Pirâmide de Gizé, pertencente ao faraó Queops, da IV Dinastia (2575-2465 a.C.). O canal de ventilação da Câmara funerária do rei está apontado para SaH, enquanto o da rainha está apontado para Sopdet, indicando essas conexões para o governante que foi enterrado ali.

A imagem de Sopdet era personificada através da estátua de uma mulher com uma estrela em sua cabeça e os hieróglifos que constituem seu nome trazem objetos do cotidiano que, ao final, é uma estrela (seu determinativo), que indica tratar-se realmente de um corpo celeste. Foi a observação do céu e dos elementos naturais que permitiu aos egípcios a criação de seus calendários e, assim, a organização da sociedade, que ia desde os trabalhos mais simples até mesmo à coroação do rei. No céu, a respeito disso, eram observadas a Lua e as estrelas e elas determinavam as celebrações e festas religiosas, mas também a agricultura. Essas necessidades permitiram o surgimento de dois dos calendários mais conhecidos: o lunar e o civil. É dentro do chamado “calendário civil” que vamos encontrar as estações do ano egípcio, respectivamente Akhet, Peret e Shemu. A estrela Sóthis tinha importância principal para Akhet, a primeira estação do ano, devido ao fenômeno astronômico de seu nascimento, que os egípcios chamavam de prt spdt, desde o Reino Médio (2040-1640 a.C.), e quer dizer “O sair de Sóthis” e por conta de seu brilho intenso.

A palavra Akhet quer dizer, neste sentido, inundação e se trata de um período que compreende a metade de julho até a metade de novembro. Assim, o sair de Sothis e a inundação eram conjuntos no olhar dos antigos egípcios e, por isso, facilmente associados ao início do ano. Essa inundação do Nilo permitia que as águas preenchessem os bancos de terra com nutrientes ricos através de lodo no solo, o que garantia a renovação da vegetação e do seu entorno. A importância desse fator natural foi interpretada através da mitologia osiriana e com diversos deuses. Essa inundação, entretanto, era resultado das chuvas nas áreas altas da Etiópia, que iam para o Nilo Azul e para o rio Atbara. Posteriormente, uniam-se com o Nilo Branco e, finalmente, formavam o grande Nilo que desembocava no mar Mediterrâneo. Esta estação, cujo início coincidia com a aparição da estrela Sopdet e marcava o ano novo egípcio, terminava com o retrocesso das águas do Nilo que permitia as plantações de diversas culturas, que os egípcios chamavam de Peret (saída) e remetia ao renascimento das plantas. A última estação era chamada de Shemu e era dedicada à colheita das plantações. Esse ritmo constante que seguia o rio Nilo, o caminho que o Sol percorria gerando manhã, tarde e noite e, por fim, os movimentos repetitivos das estrelas durante o período noturno foram percebidos como Maat, a Ordem Cósmica criada pelos deuses que se refletia na natureza e devia ser observada pelos sacerdotes e pelo rei.

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Referências bibliografias.

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Os templos de Deir el-Bahari

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Por Ewerson Dubiela – Historiador do MERCT.

Deir el-Bahari é um sítio arqueológico da necrópole de Luxor, antiga Tebas, que fica na margem ocidental do Nilo. Está logo abaixo de um penhasco, em que a ponta mais extrema é a montanha El-Qurna e, por isso, está logo atrás do Vale dos Reis. O nome, em árabe, quer dizer “Mosteiro do Norte”, devido ao mosteiro cristão cópta construído ali por volta do século 7 da nossa era. No ano de 1828, estando ainda abaixo das ruínas deste monastério e toneladas de areia e rocha que caíram do topo do El-Qurna, o local recebeu a visita da expedição de Jean François Champollion, o famoso decifrador dos hieróglifos e tido até hoje como pai da egiptologia. Entre 1842 e 1845, o explorador e líder da missão prussiana, Karl Richard Lepsius, declarou que o sítio estava na “área mais externa desta rocha-cova (…) situado o mais antigo templo de Tebas Oeste, que pertence à monarquia do Reino Novo, nos começos de sua glória…”[1]. O local teve grandes escavações com Auguste Mariette, que a partir de 1858 tornou-se Conservador dos Monumentos para o governo egípcio. Também executaram trabalhos importantes no sítio, o arqueólogo suíço Edward Naville e, do jovem arqueólogo inglês que será conhecido mais tarde pela descoberta da tumba de Tutankhamon, Howard Carter, já no final do século XIX. De 1911 à 1931 se deram as escavações por parte do Museu Metropolitano de Nova York, dirigida por Herbert E. Winlock.

Quanto aos templos que ali existem, são três ao total. O primeiro e mais antigo é o templo funerário de Montuhotep II e data da XII Dinastia (1991-1783 a.C.). Montuhotep II foi o reunificador do Egito, após as conturbações internas de quase cem anos do Primeiro Período Intermediário (2134-2040 a.C.). O templo consistia em um terraço e um portão de entrada e fechado por três muros e acima havia um outro terraço que possuía uma grande estrutura. Esta forma pode fazer referência à mitologia egípcia e uma conexão com a mitologia heliopolitana, onde o primeiro monte de terra chamado de Ben Ben surgiu do oceano primordial, Num. Deste monte, Rá, o deus Sol, emergiu e criou o mundo. Nesse sentido, o rei iria renascer e recriar o mundo, tal como o deus. A decoração do templo vai desde árvores plantadas na área oeste, como tamareiras e sicômoros que levam para o terraço superior, até cenas em relevo que mostram barcos em procissão, caça e conquistas militares de Montuhotep II.

O segundo templo estava exatamente abaixo do mosteiro que deu o nome da localidade. Trata-se do Djeser-Djeseru, templo funerário da rainha-faraó Hatshepsut (1473-1458 a.C.), da XVIII Dinastia e projetado pelo arquiteto real Senenmut. A construção deste templo se deu a partir do 7º ano de reinado de Tothmés III (1479-1425 a.C.). Para que possamos compreender este período, se faz necessário dizer que Hatshepsut e Tothmés III eram tia e sobrinho. Ao assumir o trono, Tothmés era ainda criança e, portanto, sem condições de governar o País das Duas Terras. Assim, Hatshepsut assumiu como regente e teve uma gradual transição até se transformar em faraó, governando em um sistema de corregência com o sobrinho até o seu 22º ano de reinado, quando faleceu. O templo de Hatshepsut, bem como o de Montuhotep II, também possuía árvores que foram plantadas em seu pátio, à diferença que estas foram trazidas da terra de Punt, um país de localização ainda incerta. A decoração deste templo mostra a viagem para este país como um dos grandes feitos do reinado da rainha-faraó. Outro elemento bastante importante é o Oráculo de Hatshepsut que foi gravado em relevo no mesmo terraço que a viagem à Punt. Este Oráculo é a mitologia do nascimento de Hatshepsut, em que o deus Amon apresenta a rainha-faraó como a herdeira do trono egípcio, legitimando assim a sua coroação. Djeser-Djeseru quer dizer Sublime dos Sublimes ou Sagrado dos Sagrados.

Por fim, o último templo construído, assim como o de Montuhotep II, foi bastante destruído, hoje sabe-se que parte desse fato foi causado por um terremoto no final do Reino Novo (1550-1070 a.C.). Porém, escavações lideradas principalmente a partir de 1962, durante a expedição Egípcia-Polonesa, sob a direção de Kazimierz Michalowski permitiram recuperar boa parte do templo e um santuário da deusa Hathor, atualmente no Museu do Cairo. Este terceiro templo foi erigido a mando de Tothmés III, sendo construído entre os templos de Hatshepsut e Montuhotep II, o seu arquiteto foi o vizir Rekhmira. A intenção para este terceiro templo de Deir el-Bahari foi, possivelmente, a de levar o Djeser-Djeseru de Hatshepsut à Damnatio Memoriae, ou seja, ao esquecimento, uma vez que as procissões da Bela Festa do Vale passariam à ele. Sua construção teve início no 43º ano de reinado de Tothmés III, mesma época em que a Damnatio Memoriae de Hatshepsut teve cabo. O templo funerário de Tothmés III foi chamado de Djeser-Akhet e quer dizer Sublime horizonte ou Sagrado horizonte. Como está bastante danificado, as recentes restaurações permitiram mostrar os tambores das colunas na plataforma rochosa em que foi originalmente erguido, além de pavimentos parcialmente preservados, fundações de paredes e batentes de portas.

O formato desses três templos foi baseado em um tipo de tumba elaborada ainda na época do Primeiro Período Intermediário. Estas tumbas, chamadas Saf, são específicas da região tebana e contam com um grande pátio e, no final, o local de enterro. Sem deixar de seguir este padrão e atribuindo novos contornos, os arquitetos reais conseguiram produzir tais templos. O resultado arquitetônico entre as três construções foi uma sequência de rampas e terraços onde colunas e pórticos flanqueavam suas laterais, trazendo uma harmonia na base do penhasco de quase 100 metros. Hoje, apenas o templo de Hatshepsut está bem preservado e disponível para a visitação, porém, é através dele que temos ideia dessa arquitetura caracteristicamente de Tebas.

Bibliografia

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VERCOUTTER, Jean. O Egito Antigo. São Paulo. Difel. 3ª Ed. 1986.

[1] Verificar a citação, de onde tirei?

O Vale dos Reis

Por: Vivian Tedardi – Historiadora

Câmara funerária do faraó Tutmés III

Ao longo da história egípcia antiga os faraós construíram suas tumbas para que fossem a morada eterna de seus corpos e garantissem a sua existência na companhia dos deuses. As pirâmides são, com certeza, o exemplo mais famoso, porém não as únicas estruturas erigidas para este fim. Os reis que governaram durante o período áureo da história egípcia, o Reino Novo (1550-1070 a.C.), construíram suas tumbas escavadas na rocha, no deserto Ocidental, próximo da capital Tebas, região conhecida como Vale dos Reis.

Os egípcios referiam-se a região como “Grande e nobre necrópole de milhões de anos do faraó que é vivo, seja próspero e são, no oeste de Tebas” ou “O vale – o grande lugar em que descansa o faraó”. Até hoje foram descobertas sessenta e quatro tumbas reais das XVIII, XIX e XX dinastias e o local escolhido para abriga-las não foi aleatório, pois a montanha que acolhe esses sepulcros possui forma piramidal, e é conhecida como el-Qurna. Além deste significado simbólico há outro, visto que a forma de algumas cadeias montanhosas foi associada ao símbolo Akhet, que significa horizonte, local de passagem entre o mundo dos vivos e o mundo dos deuses.

Embora grande parte das tumbas tenham ficado inacabadas, sabemos que o faraó no início de seu governo mandava iniciar os trabalhos para a construção de seu sepulcro. Geralmente o local era escolhido pelo vizir, pelo chefe dos trabalhadores e alguns outros funcionários reais, porém, a decisão final cabia ao rei. Com a escolha do local era realizada a cerimônia de fundação, na qual um ou mais poços eram escavados em alguma área próxima da entrada da tumba e vários objetos votivos eram ali depositados.

Para abrigar os construtores das tumbas reais foi erigida a cidade de Deir el-Medina. Os trabalhadores eram divididos em dois grupos: lado esquerdo e lado direito, sendo que cada um dos lados tinha um capataz, com um ajudante. Havia apenas um escriba por vez, que atendia aos dois grupos. Além desses, viviam na cidade desenhistas, escultores, médicos, assistentes e guardas. Basicamente as atividades estavam relacionadas a construção das tumbas reais. As escavações arqueológicas realizadas na cidade e nas tumbas dos construtores revelaram o cotidiano das pessoas que atuaram na construção desta necrópole real.

Câmara funerária do faraó Seti I

E como eram as tumbas do Vale dos Reis? Escavadas na rocha, são formadas por corredores e câmaras, porém não aleatórias, mas relacionadas a concepção post-mortem do período, principalmente associando o rei ao deus sol Rá. As tumbas seriam uma versão terrestre do mundo ultraterreno, um mundo que o monarca deveria cruzar todas as noites acompanhando o deus solar para que pudesse renascer no Leste no dia seguinte, ao amanhecer. A iconografia presente afirma isso, pois recriava esse mundo ultraterreno e todas as criaturas que o habitavam. Além das associações com Rá, o faraó também era assimilado com o governante do mundo dos mortos, o primeiro dos Ocidentais, o deus Osíris. Cada um dos corredores e salas foram nomeados de acordo com a passagem do deus sol pelo inframundo, sendo que a câmara funerária do rei era chamada de “sala onde o uno descansa” ou “a casa de ouro onde o uno descansa”. O ouro aqui representa divindade, por isso, geralmente, a cor amarela era predominante no espaço, que continha o sarcófago real, e a exemplo da tumba de Tutankhamon, possivelmente este era recoberto por quatro relicários feitos em madeira e folheados a ouro.

Embora as tumbas construídas foram destinadas aos faraós do Reino Novo, os últimos enterramentos ocorreram durante a XXII dinastia, Terceiro Período Intermediário (1070-712 a.C.), quando tebanos reutilizaram algumas delas. Isso ocorreu porque desde a Antiguidade muitas tumbas foram saqueadas. Construídas para não serem encontradas, infelizmente há registros de saques ainda no final do Reino Novo. No período Greco-Romano (304 a.C. a 395 d.C) quinze tumbas eram conhecidas, o que é possível verificar por grafittis encontrados em sepulturas raméssidas e datados desse período.

Embora a pesquisa sistematizada da região tenha iniciado no século XIX, há registros de impressões do local realizadas no século XVII e, em fins do XVIII, com a expedição de Napoleão Bonaparte. Esta, inclusive, foi responsável pela elaboração do primeiro mapa da região, contabilizando dezessete tumbas abertas. Na primeira metade do século XIX, com a exploração imperialista europeia no Egito e a busca por “antiguidades”, levou a descoberta de oito novas tumbas pelo italiano Giovanni Battista Belzoni. Em 1827, para identificação das tumbas, elas foram numeradas em vermelho, em ordem sequencial. Forma que continua sendo utilizada quando uma nova tumba é descoberta, com a sigla KV (Kings Valley) e o número sequencial.

O Vale dos Reis continua sendo explorado arqueologicamente, embora a grande descoberta tenha ocorrido em novembro de 1922, quando o arqueólogo inglês Howard Carter descobriu a tumba de Tutankhamon. Esta estava praticamente intacta, revelando como deveria ser o tesouro dos outros reis enterrados na região, e que tiveram os seus sepulcros saqueados ao longo do tempo. Na verdade, apenas duas múmias de faraós foram encontradas em suas respectivas tumbas no Vale dos Reis: Amenhotep II e Tutankhamon.

Quem visita a região encanta-se com a grandiosidade das tumbas que, mesmo inacabadas, revelam a concepção egípcia antiga na crença além-túmulo. Também o conhecimento construtivo e decorativo daqueles que atuaram na construção das moradas eternas dos reis que, ao terem sua vida eterna garantida, atuavam para a manutenção da Ordem criada pelas divindades egípcias.

O Templo de Edfu

Por: Bruno Deniski – monitor do Museu Egípcio e Rosacruz

As civilizações antigas e suas culturas eram voltadas para a religião, e suas devoções eram colocadas à mostra quando realizavam as construções dos grandiosos templos e outros monumentos em dedicatoria aos seus deuses. Suas cidades eram construidas ao redor dos templos, lugar considerado divino, sendo assim as regiões afastadas dos templos eram consideradas profanas. Como dito, os egípcios antigos não viviam apenas de construções de grandiosos monumentos, eles partilhavam também uma religião complexa, compreendiam o mundo em que viviam por meio dos mitos e suas deidades, ou seja, para eles o espaço onde viviam é em si só religioso, onde os deuses eram fundamentais em todo o cotidiano e em todas as atividades, das mais simples até as mais elaboradas como o reinado do faraó.

Ocorria uma relação ampla entre o monarca e os deuses, principalmente por dois motivos: o primeiro porque o rei era considerado um deus vivo na terra, e dentro dele habitava a alma do próprio deus Hórus e, o segundo dava legitimidade e poder ao faraó. Os templos foram tão importantes que serviram como um meio de legitimar a dinastia Ptolomaica (332 a 30 a.C), pois muitos templos começaram ou foram terminados neste periódo.

Templo de Edfu

Conhecido como templo de Hórus, deus protetor das famílias e dos faraós considerado também como o senhor dos ventos. Encontra-se localizado na margem oeste do Rio Nilo, foi edificado com pedras arenosas e em todas as dimensões das paredes do templo haviam diversas cenas gravadas, sendo algumas dessas  responsaveis por contar o mito da contenda entre Hórus e seu tio Seth.

Tanto no lado direito quanto no esquerdo das paredes internas do templo há representações da procissão divina de Hórus e Hathor, conhecida também como “união divina”, e no fim desta mesma sala encontram-se mais duas estátuas do deus falcão protegendo um portal de uma colunata (sequência de colunas). As gravuras nas paredes do pátio apresentam diferentes cenas, algumas com o faraó rezando, e outras realizando oferendas, local conhecido como “pátio das oferendas”.

Ao lado direito da colunata encontra-se um quarto pequeno chamado de biblioteca onde, possivelmente, os egípcios guardavam rolos de papiros “científicos e administrativos”. Suas paredes são adornadas de imagens iconográficas que representam o chamado “ritual de fundação do templo” onde demonstram o faraó Ptolomeu III dedicando o Templo ao deus Hórus. No final do templo a sala chamada de “Sanctum Sanctorion” é um local com pouquíssima iluminação, e que apenas os sacerdotes poderiam adentrar. Neste espaço era depositado o tabernáculo (parecido com uma capela) onde era posta a estatua de Hórus.

Os templos egípcios são importantes e fundamentais para a compreensão entre o espaço sagrado e o profano, como do mesmo modo para entender a sua relevância para a legitimidade do poder faraônico, isso ocorreu no período ptolomaico, momento no qual há construção e a reforma de diversos templos. Eles podem ser reconhecidos como um meio de demonstração da devoção dos egípcios para com os seus deuses. Desse modo, ao entender os processos de construção e decoração dos templos também compreende-se os acontecimentos históricos e as crenças do povo egípcio.

https://maironpelomundo.com/2016/12/01/o-magnifico-templo-antigo-de-horus-em-edfu-no-egito/ retirado dia 20/08/2019 às 8:41- Nesta imagem pode ser observada na parte interna do templo de Hórus em Edfu, construído no período conhecido como ptolomaico. Neste espaço encontra uma estátua zoomórfica deste deus
https://queromochilar.com.br/edfu-egito/ retirada em 20/08/2019 às 9:00
Imagem de Hórus na forma antropozoomorfica localizada na entrada do templo no lado direito do pilone.
https://arte.laguia2000.com/arquitectura/templo-edfu retirada em 20/08/2019 às 9:04/ nesta imagem pode se observar a estatua de Hórus e ao fundo treze colunas que sustentam um dos lados do templo.
https://www.pinterest.de/pin/291185932152213730/?autologin=true retirada em 20/08/2019 às 9:13 nesta imagem que retrata a sala denominada como “santo dos santos” pode se observar representações iconográficas na parede, como do mesmo modo dois objetos um deles seria uma barca carregando uma peça chamada de tabernáculo local onde colocavam a estatua do deus. Atrás da barca encontra-se outro local utilizado para colocar estatuas.
https://www.pinterest.de/pin/449234131564020106/?d=f&mt=signupOrPersonalizedLogin retirada em 20/08/2019 às 9:28: esta imagem encontra-se localizada na parte externa do templo, representando o faraó Ptolomeu VI sendo abençoado por duas deusas, do lado direito encontrasse a deusa Adjet e do lado esquerdo a deusa Nekhbet
https://www.pinterest.de/pin/641974121852336433/ retirada em 20/08/2019 às 9:32

Referências bibliográficas:

CÂMARA. Matheus Breno Pinto da. ESPAÇO SAGRADO E ESPAÇO DOMÉSTICO: UM ESTUDO SOBRE OS TEMPLOS E AS CASAS NO ANTIGO EGITO. Alétheia Revista de Estudos sobre Antiguidade e Medievo – volume 9, n. 1. UFRN, 2014.

GRALHA, J. Egito Ptolomaico: Arquitetura Sagrada e as relações de Poder. Hélade, v. 1, n. 1, 2015, p. 67-82.

PIRES. Guilherme Borges. O Templo de Hórus de Edfu: As narrativas do sagrado. Universidade Nova de Lisboa, 2013-2014.

O Touro Ápis e sua importância para a sociedade Egípcia

Autor: Bruno Luiz Deniski – Monitor do Museu Egípcio & Rosacruz.

A imagem e representação do chamado touro selvagem foram utilizadas em praticamente todas as grandes civilizações da Antiguidade. Ele representava em geral, a força, a virilidade, a energia, o combate e a fertilidade. Por outro lado, a vaca era a representação da maternidade, do feminino, como também relacionada com a alimentação. De acordo com a cosmogonia egípcia há varias deidades relacionadas ou contendo características de touros e vacas. Dentre eles podem ser destacados três touros considerados sagrados, sendo eles, Ápis (relacionado com Ptah e Osíris), Meruer ou Mnéus (associado a Rá), e por fim Bukhis (associado com Montu e Rá). Do mesmo modo, havia as representações de vacas sagradas, como por exemplo: Bat, Hathor, Mehet-Ueret, Nut, Hesat, Ihet, Sekhat-Hor, Sekhetet, Shentayet e Khensit. De todos esses bovinos sagrados o que mais se destacou foi o touro Ápis, em egípcio Hep, que deteve seu culto desde a fundação do Estado, em 3100 a.C. Seu culto passou pela época Tinita (I-II Dinastias), acontecimento registrado na pedra de Palermo. Considerado como o deus da vegetação, fecundidade, ressurreição, que em alguns momentos era relacionado ao deus-sol Ra, portanto, com o renascimento e fertilidade. O touro era usado também na corrida que confirmava o poder do faraó denominada como “corrida ritual“ chamada de Heb-sed. Esse ritual ocorria quando o rei alcançava o seu 30° ano de reinado e através dele o poder do rei era renovado e legitimado. No evento, o faraó teria que cumprir algumas atividades, por último participava de uma corrida em que deveria acompanhar o touro, o que dava a conotação da crença de que haveria uma troca de poderes entre os dois.

A festa ocorria na cidade de Mênfis, onde o faraó carregaria um cetro nekaka que representava o poder político e social e, durante a corrida, tinha como objetivo demonstrar a sua boa forma física. Supostamente ele venceria o touro, dando-lhe um maior poder para o seu reinado. O animal representava diretamente o poder do monarca como também sua fertilidade e força. Existem várias fontes iconográficas nas paredes de diversos templos em que o touro aparece nas demonstrações do poder destrutivo do rei e nas cenas em que caça touros e leões – essas representações podem ser consideradas como cenas ritualísticas que tinham como objetivo demonstrar o poder do monarca como controlador do universo, dentro e fora do Egito.

Na cidade de Mênfis, o touro representava a fecundidade, figurava a força vital da Natureza e era considerado também como o próprio deus Ptah. Era também relacionado com outros dois deuses sendo eles Ra (deus do sol e da criação, tendo seu culto na cidade de Heliópolis), assim Ápis representava a vida e, por último, Osíris (deus dos mortos, relacionado com a vegetação, sendo o padroeiro da cidade de Abydos), desta maneira o deus touro ganhava outra característica: o do renascimento. Ápis era representado com um disco solar em sua cabeça ue caracteriza sua relação com o deus Atum e entre seus chifres havia a imagem da deusa serpente Uraeus.

Com o passar do tempo, suas características como um deus touro foram crescendo e ganhando ainda mais importância dentro da cosmogonia egípcia, Ápis começou a se diferenciar de outras deidades tauromorfas, e com isso adquiriu aspectos próprios. O deus tinha traços únicos, segundo alguns historiadores clássicos, era necessariamente um touro negro, de barriga e patas brancas, com uma mancha branca em formato de um abutre ou uma águia, localizada em seu dorso. Outros pontos de suas peculiaridades, era uma mancha em forma de um besouro-escaravelho, localizada na parte inferior de sua língua, e uma calda com duas pontas de cores distintas uma preta e a outra branca. Só poderia haver um touro Ápis, esse bovino sagrado vivia em extremo luxo.

De acordo com a mitologia, o deus Ápis era filho de Ptah, no ato de sua criação o deus desceu até a terra em forma de uma luz celeste e fecundou uma vaca para o nascimento do deus touro. Haveria uma construção dedicada a ele localizada perto da de seu pai Ptah, onde ocorriam dedicatórias, pois o povo egípcio deixava ferendas de alimentos e riquezas. Quando Ápis morria, seu corpo era mumificado e embalsamado e o lugar de seu enterro era chamado Serapeum. Os egípcios ficavam entre 60 e 70 dias de luto e, logo após a sua morte, os sacerdotes iniciavam a escolha do novo representante do deus touro.

Seu poder como divindade perdurou até o período Romano, alcançando sua popularidade entre os gregos que juntamente com Osíris transformaram-no em um novo deus denominado Serapis, chegando a ser um dos maiores deuses do panteão egípcio.

Imagem de Ápis deus touro que representava o poder do faraó.
Estela de calcário representando o culto ao touro Apis, encontrada no Serapeum, em Sakara.
Representação iconográfica de Osíris deus dos mortos
Representação de Ptah deus protetor de Mênfis, cidade localizada na região norte do Egito, era também considerado como criador do mundo.

Referências bibliográficas:

DAVID, Rosalie. Religião e magia no Antigo Egito. Editora Bertrand Brasil, tradução de Angela Machado. Rio de Janeiro, 2011.

DESPLANCQUES, Sophie. Egito Antigo; tradução de Paulo Neves. Porto alegre, RS. P.128 – coleção L&PM Pocket, v. 805. L&PM, 2009.

Traunecker, Claude. Os deuses do Egito; tradução de Emanuel Araújo. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 1995. 143 p.: il.

SALES. José das Candeias. O touro na mitologia egípcia: Ápis, cerimónias, insígnias e epítetos reais. Universidade Aberta.

SALES. José das Candeias. Em busca do touro Ápis pelos caminhos da mitologia do antigo Egipto. Lisboa: Editora Universidade Aberta/ Centro de História da Universidade de Lisboa, p. 61 – 82, 01/06/2014.

https://www.fascinioegito.sh06.com/boiapis.htm

https://www.egitoantigo.net/apis-deus-egipcio-da-fertilidade.html

https://ancientegyptonline.co.uk/bullcult/

https://australianmuseum.net.au/learn/cultures/international-collection/ancient-egyptian/bull-apis-e39829/