Alexandre, o libertador do Egito

Alexandre, “O Grande” ou Alexandre Meryamun Setepenra[1] – amado de Amon, escolhido de Ra – foi um rei acedônio que em 332 a.C. após conquistar a Anatólia e o Levante –  região da Palestina e Judeia – derrotou diversas vezes o ei persa Dário, o que permitiu sua chegada ao delta do Nilo. Isso ocorreu, pois em 525 a.C., os persas haviam dominado o Egito. Alexandre em sua campanha expansionista, conquistou o Império Persa, e quando chegou ao Egito a população aceitou os macedônios. A partir daí, passaram a cultuar lexandre como seu libertador e novo faraó, uma vez que, os egípcios preferiam o rei macedônio – que deu inclusive, liberdade de culto às divindades egípcias – aos persas, que eram inimigos históricos do Egito.

Alexandre trazia a proposta de que seu império não deveria ser de dominação, mas de uma mescla de culturas de diversas civilizações, os e macedônios levariam seus conhecimentos e costumes por todo o império e, em contrapartida, aprenderiam com outros povos e se adaptariam a suas culturas, o que caracteriza o helenismo. Para o rei macedônio exemplificar essa adaptação, na região do Egito, o qual ele passou a governar, seria conhecido como filho de Zeus-Amon, unindo as principais divindades das religiões grega e egípcia.

Durante o ano em que Alexandre permaneceu no Egito, ordenou construção de uma cidade em estilo grego na região do Delta do Nilo – norte do Egito – que serviria como capital para seu governo em terras egípcias e a batizou como Alexandria: uma das 19 cidades com o mesmo nome espalhadas por todo império macedônio. Essas cidades tinham propósito administrativo-cultural que se caracterizavam por sua arquitetura em estilo grego e por suas bibliotecas, que deveriam conter textos de cada parte do império, o objetivo era o compartilhamento desse conhecimento entre povos. Um dos destaques de Alexandria era o seu farol considerado uma das maravilhas do mundo antigo, uma obra erguida a pedido de Alexandre.

Nove anos depois da conquista do Egito, em 323 a.C., Alexandre morreu sem deixar herdeiros e seu império foi dividido entre os seus generais. Durante aproximadamente quarenta anos, as divisões do Império Macedônio, que resultaram da morte de Alexandre, trouxeram uma série de conflitos pela sucessão do trono – iniciados pelo general Ptolomeu que ficou com o governo da região egípcia. Naquele país, Ptolomeu iniciou a adoração de Alexandre como uma divindade, o que permitiria aos egípcios aceitá-lo como novo faraó, sendo sucessor legitimo de um deus. Seguiu os mesmos ideais de Alexandre, mesclando e respeitando as culturas, fortalecendo ainda mais a união entre regos e egípcios.

A dominação de Alexandre no Egito permitiu que uma nova dinastia surgisse, conhecida hoje como Ptolomaica, que existiria por aproximadamente trezentos anos. Encontraria o seu fim apenas através dos romanos, quando da anexação do território egípcio, após o suicídio da última rainha, Cleópatra VII, por parte do general Otavio Augusto em 30 a.C.

[1] Epíteto greco-egípcio dado a Alexandre quando o mesmo libertou o Egito e foi cultuado como faraó.

Busto de Alexandre Magno, como Hélios. Museu do Capitólio em Roma

 

Reconstituição do Farol de Alexandria, gravura de Fischer Von Erlach (1656-1723).

Parte do mosaico de Alexandre exposto no Museu Arqueológico Nacional em Nápoles

Busto de Ptolomeu I Soter, localizado no Museu Britânico em Londres

Por Arthur Fanini Carneiro – Monitor do Museu Egípcio e Rosacruz

REFÊRENCIAS

BOSE, Partha. Alexandre, o grande: a arte da estratégia. Rio de Janeiro: Best Seller, 2006.

GREEN, Peter. Alexandre, o Grande e o período helenístico. Rio de Janeiro: Objetiva, 2014.

LÉVÊQUE, Pierre. O Mundo Helenístico. Lisboa: Edições 70, 1987.

MOSSÉ, Claude. Alexandre, o Grande. São Paulo: Estação Liberdade, 2004.

PLUTARCO. Vidas Paralelas: Alexandre e César. São Paulo: Nova Fronteira, 2016.

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